sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Internet e democratização do conhecimento: repensando o processo de exclusão social

TEIXEIRA, Adriano Canabarro -- Universidade de Passo Fundo;
BRANDÃO, Edemilson Jorge Ramos

Resumo --

Nesse estudo, analisou-se as potencialidades educacionais da Internet como elemento de democratização do conhecimento na sociedade da informação, partindo do princípio de que representa um poderoso elemento à disposição da educação e, uma vez utilizada de modo a fornecer aos indivíduos um ambiente propício ao seu desenvolvimento individual e, principalmente, coletivo, pode constituir-se num importante instrumento para a superação do quadro de exclusão e seletividade social a que está submetida uma grande parcela da população brasileira.

Palavras-chave: Internet, democratização do conhecimento, sociedade da informação.

Texto completo em PDF

1. Introdução

No novo contexto social que se configura e em razão da presença cada vez maior de tecnologias na vida dos indivíduos, o recurso estratégico passa a ser a informação. Conseqüentemente, quem não tem acesso à informação estará à margem desta nova sociedade, instituindo-se, assim, uma nova modalidade de exclusão social no século XXI, referida por muitos teóricos como “divisão digital”. Tal forma de seletividade pode ser classificada como uma divisão entre aqueles indivíduos que, entre outras coisas, não possuem acesso à informação e aqueles que a têm em abundância.

Vale ressaltar, entretanto, que o acesso à informação, por si só, não constitui um elemento de superação dessa nova modalidade de seletividade. É preciso que as informações sejam sistematizadas, analisadas, discutidas, apropriadas, aplicadas ou descartadas, a fim de possibilitarem a construção efetiva de conhecimento. Uma vez sistematizadas como conhecimento, as “novas” informações passam também a ser disponibilizadas para que outros indivíduos ou grupos possam igualmente beneficiar-se, formando-se, assim, um ciclo que deverá repetir-se indefinidamente, no qual informação gera conhecimento, que, por sua vez, gera informação, que gera conhecimento, e assim sucessivamente, o que acaba por desenvolver no indivíduo uma crescente capacidade de interação com os outros e com novos conhecimentos cada vez mais complexos.

Em razão de suas características, serviços e potencialidades, a rede Internet pode ser considerada como um importante recurso à disposição da educação, não somente pela sua capacidade de disseminação de informação, mas, também, pela possibilidade de construção do conhecimento através de experiências em que predominem a comunicação e a colaboração.

A análise de temas relacionados à Internet como elemento de democratização do conhecimento, bem como de suas potencialidades pedagógicas e emancipatórias, se, por um lado, suscita vários questionamentos e estudos científicos, pela amplitude e contemporaneidade das questões envolvidas, por outro, constitui um evidente estímulo à reflexão sobre importantes questões que envolvem a escola e a sociedade como um todo, a saber: a questão da formação docente para a utilização da Internet e suas implicações individuais e sociais no que diz respeito às funções do educador, bem como a postura do professor frente a uma tecnologia que o aluno, em muitos casos, domina com certa facilidade; as questões relacionadas à alfabetização digital ou tecnológica do cidadão como condição básica para a manipulação e o domínio das novas tecnologias.

2. Configuração de uma nova sociedade

A sociedade da informação configura-se como um ambiente potencializado pelo advento das novas tecnologias e que tem como uma de suas principais características o valor crescente do conhecimento para o desenvolvimento humano e social de indivíduos e grupos, assumindo conotações não apenas de um ambiente transformado pela tecnologia, mas também, pelo processamento de informações, pelo papel estratégico do conhecimento teórico na definição de novas formas de saber, pela ênfase atribuída às atividades ligadas à educação, à formação profissional e à pesquisa em geral. É uma sociedade onde “pela primeira vez na história da humanidade, a mente humana é uma força direta de produção, não apenas um elemento decisivo no sistema produtivo” (Castells, 1999, p. 51). Dessa forma, tal sociedade constitui o ponto de partida para as análises aqui desenvolvidas.

O papel de destaque das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs) na sociedade atual é atribuído principalmente à valorização da informação. Assim, tudo aquilo que potencialize o seu manuseio representa um elemento importante nesse processo, no qual a informação emerge como matéria-prima e a tecnologia como um meio de agir sobre ela. Nesse sentido, é possível apontar tais tecnologias como as principais propulsoras e mantenedoras da atual sociedade.

Análises que buscam uma maior compreensão de fenômenos relacionados à inserção de TICs na sociedade, ou, como sugere Benakouche (2000), da “apropriação social” dessas tecnologias, bem como de suas relações e potencialidades, revestem-se pois, de fundamental importância para que se possam desenvolver ambientes favoráveis para atuação e interação dos indivíduos na nova realidade social.

Uma das principais características das tecnologias da informação é a de diminuírem a “distância” entre o ser humano e aquilo que lhe pode ser extremamente valioso: a informação. Atualmente, um dos principais representantes dessas tecnologias é o computador. É importante destacar que o computador, enquanto tecnologia da informação, cria um novo marco no processo de evolução tecnológica na medida em que rompe totalmente com princípios anunciados por outras tecnologias, modificando a relação do homem com a máquina, a qual passa a ganhar novos horizontes e significações no momento em que tais tecnologias buscam aproximar-se do funcionamento do cérebro humano.

Por outro lado, enquanto veículo tecnológico, as potencialidades e características do computador ganham novas dimensões, uma vez que podem fornecer acesso a ambientes propícios para a conquista e o desenvolvimento de novos conhecimentos, de interação, criação e cooperação entre as pessoas. Ao analisar essa questão, Silva (2000, p. 40) propõe a utilização do computador “enquanto ‘tecnologia cultural’ e não apenas como ‘um aparato técnico’ materialmente objetivado, (...), mas como corpo lógico de elementos simbólico-culturais”.

Feitas essas reflexões, parece plausível supor que o computador, muito mais do que um aparato tecnológico, pode representar um importante elemento no desenvolvimento cognitivo e social da humanidade, na medida em que potencializa, de uma forma jamais vista na história da raça humana, as possibilidades do homem atuar e interferir na sociedade, e, enquanto criatura tecnológica concebida pelo intelecto humano, sua utilização fica condicionada às vontades, às aspirações, aos desejos e aos objetivos de seu criador.

Analisado a forma como as TICs têm transformado a sociedade em todos os seus setores, infere-se que o acesso às tecnologias da informação pode configurar tanto um elemento determinante de sucesso quanto de fracasso individual, social ou corporativo.
Ao se referir a essa nova modalidade de exclusão, Silva (2000, p. 31) afirma que “ela reproduz a velha separação entre o topo e a base da pirâmide, desta vez como ‘inforicos e infopobres’ onde a referência de base é o domínio do ‘novo alfabeto’”. Ao citar Cádima e a expressão “novo alfabeto” por ela utilizada, o autor sugere a eminência de um novo analfabetismo funcional para o século XXI: o tecnológico.

Na sociedade atual, é possível perceber que médicos, advogados, administradores de empresa, economistas e, sobretudo, professores saem das universidades, analfabetos em termos de tecnologia e, o que é mais preocupante, permanecem nessa condição. É importante que os professores e profissionais de todas as áreas tenham a capacidade de interagir ampla e versatilmente com as tecnologias, porém, como sugere Chaves (2000), “com os pés plantados em sua área de atuação”.

A alfabetização tecnológica dos professores, torna-se ponto fundamental na tarefa de escolher entre “inserir” a tecnologia na escola e “sofrer” seus impactos, ou possibilitar a “interação” com e através da tecnologia na escola e suas implicações, possibilitando que professor e aluno possam descobrir, compreender, interagir e contribuir para “modificar” o mundo que os cercam.

3. Escola e a democratização do conhecimento

A escola, instituição deliberadamente projetada para propiciar a construção de conhecimento, possui papel fundamental na sua democratização, que, nesse sentido, constitui muito mais do que um ato de cidadania; é uma ação concreta na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. O acesso ao conhecimento significa, entre outros aspectos, colocar o ser humano em contato com um ambiente rico em informações, interativo, cativante e desafiante; um ambiente que pode vir a se tornar um dos propulsores do desenvolvimento intelectual e social do homem, em especial se a escola atuar como um elemento ativo desse processo.

Para tanto, a “apropriação social” das TICs por parte das escolas é necessária e estratégica, porém não no sentido de fornecer o mesmo ensino com outros suportes, mas de abrir novos horizontes de interação e de desenvolvimento aos indivíduos, possibilitando ao ambiente escolar a superação de sua condição de reprodutor para assumir seu papel de produtor de novos conhecimentos.

Neste contexto, destaca-se àquela tecnologia que vêm resignificando o próprio conceito de “Computador” como objeto tecnológico autovalorado, atribuindo -lhe gradativamente o papel de simples interface: a Internet. A rede mundial de computadores, em função do nível de interatividade que proporciona e de sua flexibilidade apresenta um potencial comunicacional jamais detectado em tecnologias precedentes.

Referindo-se à modalidade comunicacional interativa, viabilizada pelas novas TICs, em especial pela Internet, Silva (2000, p. 11) destaca que o emissor “constrói uma rede (não uma rota) e define um conjunto de territórios a explorar, (...) abertos a navegações e dispostos a interferências e modificações, vindas por parte do receptor.
Este, por sua vez, torna-se (...) co-autor, co-criador, verdadeiro conceptor”. As novas tecnologias interativas “permitem a participação, a intervenção, a bidirecionalidade e a multiplicidade de conexões. (...) rompem com a linearidade e com a separação emissão/recepção” (p. 13).

Quanto à flexibilidade da Internet, pode-se imaginar que esta se refira, entre outros elementos, ao fato de que tanto é possível encontrar referências sobre praticamente todos os assuntos na rede quanto fazer dela um meio de emissão de qualquer tipo de informação ou conhecimento. Pode-se apontar a questão da flexibilidade da Internet como um dos propulsores do crescimento exponencial da rede, sobretudo em residências e instituições de ensino públicas e privadas.

Atualmente, a Internet figura como um dos principais destaques das TICs, por possibilitar a cada usuário, entre outras funções, selecionar, receber, tratar e enviar qualquer tipo de informação, através de ambientes propícios e extremamente favoráveis à circulação dessas em uma dimensão inédita, constituindo o que Castells (1999, p. 369) chama de “espinha dorsal da comunicação global mediada por computadores”.

A possibilidade de interação, de comunicação entre indivíduos e grupos e de troca de informações entre eles, torna-se possível e potencializa-se em função dos serviços e das características da Internet, podendo significar um grande diferencial para a criação de ambientes educacionais que privilegiem aspectos como colaboração, interação e coletividade.

A oportunidade que a Internet apresenta, de resgatar a questão da coletividade, é lembrada por Lévy (1999, p. 14) quando declara que as tecnologias da informação são, de fato, “responsáveis por estender de uma ponta à outra do mundo as possibilidades de contato amigável, de transições contratuais, de transmissão do saber, de trocas de conhecimentos, de descoberta pacífica das diferenças, representando não apenas mais uma tecnologia da informação, mas um verdadeiro veículo de socialização”.
As potencialidades da Internet no meio educacional abrem um leque muito amplo de utilizações e podem ir muito além do que uma visão mais otimista poderia imaginar. Entretanto, é necessário que se tenha claro que a simples conexão física das escolas à rede não é garantia de um incremento significativo na busca da construção da cidadania e do conhecimento. Segundo Pretto (2000), “não precisamos de Internet nas escolas, mas sim de escolas na Internet (...) Fortalecer as culturas locais e disponibilizá- las na rede mundial, é fortalecer o cidadão”.

A possibilidade fornecida pela Internet de ir além das quatro paredes de uma sala de aula, buscando mais do que o registrado em cadernos, livros e quadros, rompe com práticas educacionais que separam emissão e recepção, propiciando a criação de novas práticas, mais intensas e interativas.

4. Metodologia do desenvolvimento da pesquisa

Em razão do tema proposto - refletir sobre as potencialidades da Internet como elemento de democratização do conhecimento e de superação das diferenças sociais na sociedade da informação -, desenvolveu-se uma experiência de campo junto a um grupo de jovens pertencentes à Escola Estadual de 1º grau - Escola Aberta de Passo Fundo - RS, comumente chamada de Escola Aberta, destinada à educação de jovens de baixa renda e que vivem nas ruas da cidade.

O estudo foi desenvolvido no Laboratório de Software Educacional – LSE – da Faculdade de Educação da Universidade de Passo Fundo, sendo utilizadas máquinas multimídia com acesso à rede Internet. O LSE funciona em uma sala reservada e propícia ao desenvolvimento de atividades acadêmicas e de pesquisa que necessitem de recursos computacionais.

Salienta-se que o objetivo principal da realização das atividades propostas aos jovens da pesquisa, foi possibilitar a sua interação com e através da Internet a fim de fornecer o maior número de possibilidades de reprocidade de trocas e de comunicação ao grupo, bem como de busca de informações consideradas por eles, importantes para o seu desenvolvimento enquanto cidadãos.

Para tanto, antes do início das atividades, o ambiente onde deveriam ocorrer os encontros (LSE) era devidamente organizado para acolher o grupo de jovens. Os computadores, bem como os programas a serem utilizados, a fim de possibilitar níveis de interação satisfatórias e favoráveis à observação, eram devidamente preparados para minimizar os trabalhos de manipulação ou aprendizagem de atividades relacionadas ao computador enquanto objeto tecnológico, possibilitando aos jovens uma maior dedicação aos aspectos relacionados à interação com e através da Internet.

Todas as atividades propostas foram desenvolvidas individualmente pelos jovens e consistiram em: práticas de navegação dirigida, navegação livre, atividades de comunicação síncrona e assíncrona e construção de homepage pessoal. Para as atividades de navegação dirigida, foram selecionados alguns sites entre os quais o grupo podia escolher os que mais lhe agradassem. A seleção dessas páginas foi feita com base nas informações fornecidas pelos próprios sujeitos da pesquisa. Além dos sites elencados, outros foram relacionados, priorizando aspectos sociais, políticos e culturais. A relação dos sites utilizada durante essa atividade, pode ser encontrada em http://vitoria.upf.tche.br/teixeira/mest/sites.htm.

Nas atividades que possibilitaram a navegação livre do grupo segundo seus próprios interesses, o grupo foi orientado a utilizar algumas ferramentas de procura na Internet, como, por exemplo, o site brasileiro de busca, Cadê (http://www.cade.com.br), que possibilita a localização de páginas na Internet que tratam de informações específicas, localizadas a partir da digitação de palavras relacionadas.

Nas situações de comunicação assíncrona, o grupo pôde enviar mensagens pela rede segundo suas próprias necessidades e preferências. Embora não tenha sido efetuada a criação de e-mails pessoais para cada um dos jovens, estes puderam, a partir de formulários disponibilizados pelos próprios sites acessados, redigir suas mensagens e enviá-las. Quando do preenchimento destes formulários, além do endereço residencial, era solicitado um endereço eletrônico para o recebimento de eventuais respostas, o e-mail informado era o do próprio pesquisador (teixeira@upf.tche.br), a fim de que pudessem também servir de material a ser analisado.

Nas atividades de comunicação síncrona com outros participantes da rede, propôs-se a participação em salas de bate-papo. Esses momentos ocorreram através do acesso a páginas que fornecem tal serviço. Uma vez escolhidas as salas de bate-papo, os sujeitos passavam a interagir com os demais integrantes da sala.
Na atividade de criação de homepages individuais pelos jovens, cada um pôde decidir o conteúdo e a forma como deveriam ser organizadas as informações. O objetivo dessas atividades não consistia em priorizar aspectos técnicos e gráficos de construção, mas, sim, fornecer-lhes a possibilidade de poderem participar e contribuir ativamente na construção da rede.

5. Apresentação e análise dos resultados

Com o objetivo de sintetizar as observações feitas durante a experiência de campo realizada, alguns pontos podem ser elencados. O primeiro diz respeito ao papel das tecnologias no cotidiano dos jovens. Observou-se que, embora algumas tecnologias da informação, como, por exemplo, a televisão e o rádio, façam parte do dia-a-dia do grupo, demandam apenas uma postura de receptores passivos por parte dos jovens, e não de emissores de informação e de conhecimento. Tal postura pôde ser verificada igualmente, na concepção inicial da rede para os envolvidos.

Ainda que o grupo nunca tivesse interagido com a Internet, pôde-se observar, além da rápida apropriação de técnicas de manuseio e utilização da tecnologia disponibilizada, uma postura dinâmica por parte dos jovens frente a essa tecnologia, na medida em que tomavam, por si só, iniciativas e decisões sobre o melhor caminho a tomar, as informações a serem emitidas e as possibilidades presentes na rede.

Neste ponto, pode-se observar que a rota de navegação tomada pelos jovens estava intimamente ligada ao seu cotidiano e seus valores, na medida em que, inicialmente, priorizaram o acesso a páginas que contêm elementos de uma cultura de massa, como, por exemplo, programas de auditório.

Com o desenvolvimento das atividades propostas, gradativamente foi possível verificar que, antes de utilizar a rede como elemento de diversão, a concepção de que poderiam, de alguma forma, auxiliar na mudança de condição de vida, era crescente e freqüentemente presente.

Vislumbrou-se, igualmente, o fator motivador existente na utilização das novas tecnologias em ambientes de caráter educacional, tanto no sentido de fomentar a participação dos alunos em atividades propostas, nas quais predominem a participação e a comunicação, quanto no sentido de fornecer um elemento importante na busca e na construção de novos conhecimentos.
Finalmente, pôde-se detectar, no decorrer das atividades, uma grande preocupação por parte dos jovens com relação a aspectos relacionados com a expressão escrita e com sua localização geográfica, podendo, nesse ponto, ser considerada como mais uma possibilidade de auxílio no desenvolvimento de atividades inter e transdisciplinares; Verificou-se também, que a Internet constituiu-se num veículo de socialização e de comunicação pleno na medida em que possibilitou diferentes níveis de expressão por parte dos jovens, sem que aspectos como nível social ou de escolarização fossem por eles encarados como limitadores no processo de interação.

A partir da pesquisa realizada, pôde-se detectar que a utilização da Internet para os jovens demonstrou-se importante no processo de democratização do conhecimento e de busca de melhoria na condição de vida por parte dos sujeitos.

6. Considerações finais

No estudo, verificou-se que: embora a Internet seja uma tecnologia que não faz parte do cotidiano dos jovens da pesquisa, sua apropriação ocorreu de maneira dinâmica e espontânea; em uma realidade com tantos problemas sociais, como é o caso do grupo pesquisado, a Internet assume caráter social na medida em que possibilita aos indivíduos a livre expressão de suas idéias e anseios, potencializando as atividades de interação pessoal e de troca de informações com outros indivíduos; a Internet pode fornecer um incremento significativo tanto no acesso quanto na construção de novos conhecimentos, contribuindo, dessa forma, para a superação de situações de desigualdade e de seletividade social, provenientes da divisão digital.

7. Referências bibliográficas

BENAKOUCHE, Tamara. (2000) “Fatores sociais e culturais na utilização diferenciada de redes eletrônicas no Brasil: notas para discussão”, http://www.alternex.com.br/esocius/t-tamara.html, Outubro.

CASTELLS, Manuel. (1999) “A sociedade em rede – a era da informação: economia, sociedade e cultura”. São Paulo: Paz e Terra, v. 1.

CHAVES, Eduardo. (2000) “Informática, educação e trabalho”, http://www2.mindware.com.br/textself/comput/whorta.htm, Julho.

LÉVY, Pierre. (1999) “Cibercultura”. São Paulo: Editora 34.

PRETTO, Nelson De Luca (Org.). (2000) “Globalização & educação: mercado de trabalho, tecnologias de comunicação, educação a distância e sociedade planetária”. 2. ed. Ijuí: Unijuí. (Série Terra Semeada)

________. (2000) “Linguagens e tecnologias na educação”, http://www.ufba.br/Pretto/textos/endipe2000.htm, Outubro.

SILVA, Marco. (2000) “Sala de aula interativa”. Rio de Janeiro: Quartet.

A doxa, a vida na polis e a internet

Eu nunca leio um livro inteiro de uma vez. Assim que pego o livro vou direto na parte que me interessa. Nos capítulos que me interessam. Portanto, primeiro leio os índices. Isso é o que eu mais faço: ler índices de livros, teses, dissertações, monografias, etc. Se não tem índice, folheio o livro procurando as coisas que quero saber. Eu gosto de ir direto no ponto que interessa, sem rodeios. Ler o índice das coisas economiza um tempão, sem contar que você exclui um monte de informações inúteis, que não servem para você naquele momento. Digo naquele momento porque em um outro momento futuro, isso já ocorreu muito comigo, você tem que voltar ao livro para ler os capítulos que deixou de ler na primeira vez.

Além disso, nem sempre as coisas fazem sentido na primeira vez que você lê. Eu leio certas coisas e fico pensando: o que será que esse autor quis dizer com isso ??? Não entendi nada do que ele disse... Mas de repente, um ano depois, acontece alguma coisa e aquilo que eu li começa a fazer sentido.

Por exemplo, estou desenvolvendo uma Teoria da Liberdade para explicar a escravidão nos regimes totalitários (Clique aqui para ler o esboço dessa Teoria) e por isso estou lendo mais coisas sobre totalitarismo, nazismo, etc. Não só lendo, como assistindo filmes e documentários. O conhecimento e o saber estão colados em vários tipos de dados e informações. Por conta disso li dois capítulos do livro "Política e Liberdade em Hannah Arendt", escrito por Francisco Xarão - Ed. UniJuí - RS - 2000. E da leitura desses dois capítulos descobri uma coisa interessante: a relação entre a política e a internet pode ser explicada pela visão ateniense.

Vou explicar melhor a coisa. De acordo com o livro citado:

"Persuadir não era, para os atenienses, tão somente sujeitar por palavras a opinião de outros à sua própria opinião. Persuasão era o meio pelo qual os atenienses trocavam as suas 'doxai'. Para Sócrates, como para seus concidadãos, a 'doxa' era a formulação em fala daquilo que 'dokei moi', daquilo que me parece. A 'doxa' não era algo que seria provável ou semelhante em referência a algum padrão definido, mas sim a forma pela qual o mundo se revela aos olhos de cada um. O pressuposto dos habitantes da 'polis' era de que um mesmo mundo se abre a todos de maneira diferente pelo fato de que cada um ocupa nele um lugar distinto. Consequentemente, apesar das variedades de opinião, pela multiplicidade de posição que os homens ocupam em um mundo comum, era natural para os atenienses que todos os que possuissem 'doxai' fossem considerados humanos." (pag.60).

"A palavra 'doxa'significa não só opinião, mas também glória e fama. Como tal, relaciona-se com o domínio político que é a esfera pública em que qualquer um pode aparecer e mostrar que é. Nesta possibilidade de aparecer e brilhar dos outros, considerada pelos atenienses como privilégio do domínio público, é que os homens atingem sua plena humanidade. Todos aqueles que viviam somente no domínio privado - a família (mulher e filhos) e os escravos - não eram, por isso, reconhecidos como plenamente humanos." (pag.60).

"Vida na 'polis': esta constituía-se no aparecer, com atos e palavras, em um espaço público projetado para isso, onde os cidadãos podiam trocar as suas 'doxai'."(pag.86)

"A 'polis' era o lugar do agir e falar em conjunto, o espaço de aparição, no mais amplo sentido da palavra, ou seja, o espaço no qual eu apareço para os outros assim como os outros aparecem para mim, onde os homens existem não meramente como coisas vivas ou inanimadas, mas fazem sua aparição explicitamente."(pag.86).

Como é que eu relaciono isso com a atualidade. A internet nada mais é do que a polis grega, ou seja, um espaço onde nós aparecemos para defender as nossas idéias, as nossas visões, etc. Um espaço onde, através dos nossos sites, blogs, orkut, chat, videos, etc formulamos aquilo que 'dokei moi', aquilo que nos parece.

E assim, como a polis grega, a internet nos dá a possibilidade de falar e sermos ouvidos, de falar e sermos rebatidos, de falar e sermos questionados. Não há indiferença na internet. Há sempre interação, pois todo texto é lido. Podem até não respondê-lo ou não comentá-lo, mas o texto é lido. E aquela leitura irá aparecer em algum outro lugar, na fala de alguém...

Mas o mais interessante é que a internet está aberta para todos. É uma 'polis' universal. Não faz distinção, nem vê diferenças. Todos tem a mesma possibilidade de trocar as suas 'doxai', expressar o seu 'dokei moi', aquilo que lhe parece... É isso que fazemos aqui com os nossos textos, com as nossas idéias, etc.

Primeiro beijo pode determinar futuro da relação, diz pesquisa

BBC-BRASIL - 03/09/2007 --

O primeiro beijo de um casal pode determinar o sucesso da relação no futuro, segundo indica uma pesquisa sobre o ato de beijar realizada por pesquisadores da Universidade de Nova York.

No estudo, que analisou reações e percepções de 1.041 pessoas sobre o beijo, 59% dos homens e 66% das mulheres disseram já ter descoberto, após o primeiro beijo, não estarem mais interessados em alguém por quem se sentiam atraídos anteriormente.

“O que ocorre durante um primeiro beijo pode ter um efeito profundo sobre o futuro do relacionamento”, relataram os autores da pesquisa no artigo publicado na revista científica Evolutionary Psychology.

“Talvez o beijo nessas circunstâncias pode ativar mecanismos evoluídos que funcionam para desencorajar a reprodução entre indivíduos que podem ser geneticamente incompatíveis”, dizem os pesquisadores.

Forma de avaliação

O estudo indicou ainda que as mulheres em geral dão mais importância aos beijos do que os homens.

Elas utilizariam o ato inicialmente como uma forma de avaliar o receptor do beijo como um parceiro em potencial e, posteriormente, como forma de manter a intimidade e de analisar a condição do relacionamento.

Segundo o estudo, as mulheres teriam mais propensão em avaliar as habilidades do parceiro com pistas químicas (como o hálito e o gosto de suas bocas) e tomariam a aparência dos dentes como uma das principais variáveis analisadas para tomar a decisão de beijar alguém.

Os homens, por sua vez, utilizariam o beijo primordialmente como ferramenta para aumentar a possibilidade de envolvimento em uma relação sexual, segundo a pesquisa.

Eles teriam menos reservas em relação à escolha de alguém para beijar ou manter uma relação sexual.

Os homens estariam mais propensos a ter sexo com alguém sem beijar, a ter sexo com alguém a quem não se sentem atraídos ou com alguém que consideram não beijar bem.

E, ao contrário das mulheres, que consideram o beijo importante ao longo de todo o relacionamento, para os homens o ato perde importância com o passar do tempo.

Beijos molhados

A pesquisa indicou ainda uma diferença no tipo de beijo preferido por homens e mulheres.

Os homens declararam preferir beijos mais molhados e com mais contato de língua.

Segundo os pesquisadores, isso poderia ser resultado de os homens terem menos capacidade de detecção químico-sensorial em relação às mulheres, necessitando assim de uma maior quantidade de saliva para fazer sua avaliação da parceira.

Além disso, eles consideram que a troca salivar poderia ter uma função biológica de introduzir substâncias como hormônios ou proteínas nas bocas das mulheres para tentar influenciar sua propensão à relação sexual.

Segundo o coordenador da pesquisa, Gordon Gallup, o beijo se desenvolveu ao longo do tempo para se tornar uma parte essencial do processo de flerte.

Ele disse, porém, que “enquanto ambos os sexos participam dos benefícios adaptivos do beijo, a pesquisa indicou diferenças sexuais quando considerada a busca de estratégias de relacionamento de curto prazo contra o longo prazo”.

O que há por trás do mensalão

Leonildo Correa -- 03-09-2007 --

Inegavelmente o mensalão foi uma estupidez. Uma estupidez que não começou com o PT. Mas uma estupidez que serviu como uma luva para quem queria acertar o PT em cheio. E os petistas pagarão, não por terem criado ou utilizado o mensalão, mas sim porque foram estúpidos e cairam na armadilha. No mundo da política, assim como em outras áreas, as coisas não são o que parecem ser. Há intenções, más intenções, por trás de quase tudo.

O primeiro fato que temos que identificar nessa história toda é a permanência, na burocracia estatal, da maioria dos servidores contratados, ou plantados, pela ditadura militar. Os militares cairam do poder, mas seus funcionários continuaram trabalhando na burocracia estatal como se nada tivesse acontecido. E muitos desses burocratas ainda hoje estão na administração pública, inclusive atuam para impedir a abertura dos arquivos da ditadura. Se os arquivos forem abertos a cara deles é revelada. Logo, fazem de tudo para que os arquivos continuem fechados.

A partir disso vamos observar o cenário em 2002. Nós temos os petistas vencendo as eleições. A cúpula que travou a luta armada contra os militares chegando ao poder e assumindo o controle da burocracia estatal. Os ex-guerrilheiros dividindo o mesmo espaço com os antigos funcionários da ditadura. Não só isso, dando ordens para os antigos burocratas do regime. Isso era um barril de pólvora que explodiria em algum momento. Mais cedo ou mais tarde alguém iria tentar cortar a garganta de alguém. Os burocratas do regime iria aprontar alguma coisa para derrubar todo mundo, e aprontaram...

Um dos grandes erros que se comete no Brasil é identificar o regime militar com os militares. Não foram só os militares que construiram e governaram durante a ditadura. Os militares eram a força, estavam com o poder nas mãos, etc, mas por trás deles haviam organizações, grupos de políticos, personalidades, etc. Organizações, pessoas e grupos que influenciavam e direcionavam o regime de acordo com os seus interesses. Organizações, pessoas e grupos que ganharam, e muito, com a ditadura no Brasil. Os militares pagaram o pato e foram os vilões da história. As organizações, grupos e pessoas que deram sustentação, auxiliaram e ganharam com a ditadura não foram punidos e nem execrados publicamente, pois nunca foram vistos. Por isso, ainda hoje caminham entre nós, fingindo que não sabem de nada e que nada aconteceu.

Logo, o que o burocratas fizeram: percebendo que a cúpula vermelha que assumiu o poder não os reconhecia, começaram a montar suas armadilhas. Possivelemnte, algum deles chegou no Zé e falou: "Então, estou sabendo que vocês estão tendo dificuldades para aprovar algumas reformas e para financiar o PT. Eu tenho uma solução para isso." E o Zé, louco para seguir o caminho fácil, caiu no conto do vigário perguntando qual seria a tal saída mágica. Mas antes de dizer qual seria a tal solução, o burocrata da ditadura ainda fez propaganda: "Essa saída foi muito utilizada pelo governo anterior, inclusive para aprovar isso... isso...e isso...". Com essa afirmação os olhos do Zé brilharam mais do que lamparina. "Qual é ? Qual é ? Qual é ? Diz logo aí... qual é a solução mágica ?" E o burocrata da ditadura responde: "Bem, hoje não tem um nome específico, mas no futuro vão chamar de mensalão".

PFL, PSDB, Integralismo ??? Quem armou o plano ? A Direita ? Nesse caso não dá para dizer nada e nem para reduzir ou culpar uma sigla ou um nome pelo plano. Pode-se dizer apenas que foram remanescentes da ditadura que o perpetraram, pois eles tem grande interesse em quebrar, como quebraram, as pernas do PT e dos ex-guerrilheiros. Além disso, não dá para ver as coisas com definição porque existe muita falsidade no Brasil. Aqui tem gente da Esquerda na Direita e tem gente da Direita na Esquerda. Quem tem ideologia definida e é idealista é fanático. A maioria das pessoas agem por interesse pessoal e não por ideologia. Por isso, os termos Direita e Esquerda no Brasil não significam nada.

E aqui começou toda a encrenca. Os petistas perceberam, claramente, que a solução apresentada era um crime contra a administração pública e contra a coletividade, pois distorcia completamente o processo legislativo, mas, mesmo assim, a saída fácil os cegou. Faltou ética e moralidade. Deveriam ter denunciado o mensalão quando descobriram que ele existia, porém preferiram correr o risco e tentaram implementá-lo mais uma vez... "Com o governo anterior tinha funcionado, por que com eles não funcionaria", questionava suas mentes entorpecidas pelo poder.

Certamente, com o governo anterior tinha funcionado, porém o governo anterior não estava na mira das forças ocultas e dos antigos burocratas da ditadura que continuam trabalhando. O mensalão foi apresentado ao governo vermelho, não como uma solução para aprovar reformas e financiar partidos, mas sim como um mecanismo de impeachment. A idéia era cevar o governo dentro do mensalão e quando ele estivesse acostumado, bem acostumado, os fatos viriam a tona, as denuncias seriam feitas, etc, levando a uma comoção social e, consequentemente, ocasionando o impeachment do Presidente Lula.

O mensalão foi inserido no governo petista com a finalidade de derrubar o Presidente Lula e os ex-guerrilheiros que o acompanhavam. O mensalão não foi construído para isso. Ele já existia e funcionou, e ainda funciona, sem nenhum problema em outros governos: federal, estadual ou municipal. Porém, no Governo Lula a intenção era cevar para derrubar. A idéia era criar uma estrutura dissimulada que fizesse a coletividade acreditar que o PT e os petistas eram um bando de ladrões que assaltavam a adminnistração pública.

Não conseguiram derrubar o Presidente Lula, porém conseguiram arrastar a cúpula petistas para a lama. Cantaram vitória certamente, pois ex-guerrilheiros graúdos viraram pó. O PT perdeu um grande naco de sua força e todo o discurso da ética que utilizava foi por água abaixo. Enfim, parte do objetivo dos grupos remanescentes da ditadura, que continua trabalhando até hoje na burocracia estatal, foi atingido.

O que o Zé Dirceu precisa perceber é que as forças ocultas remanescentes da Ditadura (organizações, grupos e pessoas), que ainda estão dentro da administração pública e em outros setores da sociedade, irá fazer de tudo para fritá-lo em fogo alto e com o máximo de propaganda possível. Não só o Zé, mas todos os outros ex-guerrilheiros que enfrentaram diretamente o Regime Militar com luta armada. Na cabeça desses remanescentes da ditadura ex-guerrilheiros da esquerda armada deveriam estar mortos, todos mortos. Jamais poderiam assumir o governo do país. E se assumiram o governo democraticamente é função deles derrubá-los um a um. Certamente, devem fazer isso de forma dissimulada e escondida para que a sociedade não perceba o que estão fazendo...A idéia é matar politicamente da mesma forma que mataram Herzog. A melhor expressão que eu tenho para isso vem do Filme Arquitetura da Destruição: "Um sistema onde as vítimas operavam o equipamento que as mataria, pouparia os matadores do horror de seu trabalho." Dilma também está na mira deles...

Certamente, os petistas não são inocentes, terão que pagar pelo que fizeram, ou seja, por terem agido com falta de ética e moralidade administrativa, por terem utilizado o mensalão ao invés de denunciá-lo, etc. Porém, devem ter em mente que esse julgamento é revanche da ditadura e das forças ocultas e que o mensalão foi uma armadilha na qual cairam. Ilustrativamente, obrigaram um negro a praticar um crime. Pegaram-no e irão julgá-lo. O negro será julgado pelo crime que cometeu, porém será condenado por ser negro. Será condenado pelo racismo dos brancos. Inclusive esse método é muito utilizado na Globo, nas novelas da Globo. Quem assiste novela sabe que o personagem do mal sempre faz uma armadilha para pegar o personagem do bem. E o mal sempre consegue...A Globo ensina cada coisa !!!!

Lucha por ser irreprimible

Campaña de Amnistía Internacional --

Chats vigilados, blogs eliminados, sitios web bloqueados, motores de búsqueda restringidos. Personas encarceladas simplemente por publicar y compartir información.

Internet es una nueva frontera en la lucha por los derechos humanos. Con ayuda de algunas de las mayores empresas de tecnologías de la información del mundo, los gobiernos están tomando medidas represivas contra la libertad de expresión …

-----------
Sobre esta campaña

Internet es un medio excelente para compartir ideas y ejercer la libertad de expresión. Sin embargo, cada vez se intenta más controlarlo. Se tiene noticia de represión en Internet en países como China, Vietnam, Túnez, Irán, Arabia Saudí y Siria. Se persigue y encarcela a las personas simplemente por criticar a su gobierno, pedir democracia y mayor libertad de prensa o sacar a la luz abusos contra los derechos humanos a través de Internet.

Pero la represión en Internet no es exclusiva de los gobiernos. Las empresas de tecnologías de la información han ayudado a crear los sistemas que hacen posible la vigilancia y la censura. Yahoo! ha proporcionado a las autoridades chinas datos privados de usuarios de correo electrónico, contribuyendo así a que se hayan producido casos de encarcelamiento injusto. Microsoft y Google han atendido peticiones del gobierno para que censuraran activamente a ciudadanos chinos que eran usuarios de sus servicios.

La libertad de expresión es un derecho humano fundamental. Es uno de los más valiosos. Debemos luchar para protegerla.

-------------------

Para acessar e contribuir com a campanha:

http://irrepressible.info/news?lang=es

Observando o PT

Leonildo Correa -- 02/09/2007 --

Há uma maldição que acompanha o PT. Eles governam bem, mas depois de um tempo de governo eles, automaticamente, perdem o posto. Isso deriva da falta de visão do futuro e incapacidade de estabelecer uma estratégia de sucessão. Foi o caso, por exemplo, do Rio Grande do Sul.

Parece-me que isso vai se repetir na Presidência. Ao invés de construir um candidato capaz de dar continuidade às políticas implantadas pelo Presidente Lula, o PT caminha para indicação de um nome de outro partido, ou seja, vai jogar fora justamente o seu maior trunfo que é a continuidade das políticas sociais.

O mero apoio do Presidente Lula não é garantia de nada. E se não garante nada, os candidatos se igualam. E se eles se igualam, o Serra vence. E vencerá com um grande número de votos se elogiar as políticas petistas e garantir que irá dar continuidade a elas.

Mas a decisão do PT mostra uma outra coisa interessante: o PT é um partido de um homem só - o Presidente Lula.

Outra coisa, eu apóio a realização de uma Constituinte para a reforma política, contudo, se essa Constituinte modificar regras relativas a mandatos presidenciais, etc. Isso somente se aplicará ao próximo Presidente, ou seja, o Presidente Lula está vinculado às regras antigas. Tentar mudar as regras do jogo durante o jogo, para beneficiar uma das partes, é golpe. Terceiro mandato não existe na Constituição.

------------------

O Jobim quer ser o sucessor de Lula ? Será que ele conseguiria dar continuidade às políticas sociais do Presidente ? Os padrões de ação mostram claramente as intenções que não se dizem. O caos aéreo foi resolvido e a cara do Jobim continua nas notícias. É a mídia tentando construir um candidato.

Deixa eu ver: Serra x Jobim. Resultado= Serra. Mesmo com o apoio do Presidente Lula, o Jobim só ganha se o Serra fizer besteira em São Paulo, por exemplo, colar nele uma privatização. Por enquanto a privatização está colada no FHC e no Alckmin. No Serra não tem nada colado.

Ideologia e visão de mundo só passa entre pessoas do mesmo partido. Mesmo o Presidente Lula apoiando o Jobim, não há nenhuma garantia de que ele seguirá a mesma linha e as mesmas políticas do Presidente. Ele é de um partido diferente. É de uma classe diferente. Fez parte da alta burocracia do Estado (Judiciário) e tem salário acima de R$ 20.000,00. Enfim, não dá para garantir nada. Nessa brecha o Serra entra.

"A mídia não relata as notícias; ela as cria. A Mídia de Massa cria as notícias de que precisa, e ao mesmo tempo enterra as notícias reais que deseja suprimir."

---------------------

Um Senado corrupto e controlado por dossiês tem legitimidade para fazer alguma coisa pela coletividade ? Um Senado corrupto controlado por métodos mafioso e pela criminalidade organizada tem legitimidade para aprovar leis que vinculam a sociedade e o povo brasileiro ? Mas, afinal, por que é que precisamos de Senado ? A Câmara já não é suficiente ? Podemos viver perfeitamente e democraticamente sem Senado e sem Senadores corruptos.

Enfim, o que eu quero deixar bem claro é que nada é imutável e insubstituível. O Senado é apenas um sistema e na hora que quisermos acabar com esse sistema, simplesmente acabamos. Basta apenas reunir uma nova Constituinte para fazer uma nova Constituição. Mais cedo ou mais tarde isso vai acontecer.

--------------------
Sistema Legislativo Unilateral no Brasil: o Senado deve ser extinto

O Senado é um órgão inútil. Só serve para emperrar a Democracia e burocratizar as decisões legislativas. O Senado não representa os cidadãos, mas sim os Estados. Por isso, dentro de um sistema onde o poder emana do povo, não faz sentido fragmentar/dividir esse poder com um órgão que não representa o povo.

O deputado Ricardo Berzoini, no Congresso do PT, defendeu a idéia de um sistema legislativo unilateral no Brasil, com a extinção do Senado. De acordo com o Deputado: “Muitos países têm sistema unilateral. É mais produtivo para a democracia, agiliza os processos e reproduz a vontade do povo. Hoje os Estados são representados de maneira extremamente desigual. Na Câmara, um pouco desigual. No Senado, profundamente desigual.” Essa proposta de uma câmara única, de acordo com Berzoini, faz parte das resoluções do PT desde a sua fundação há 27 anos.

Berzoini defendeu também a idéia de uma constituinte exclusiva para votar a reforma política, uma vez que, de acordo com ele “O PT quer uma discussão para corrigir vícios da Constituição de 1988 em relação ao sistema político”.

O acesso ao conhecimento e aos saberes é um Direito Humano

Leonildo Correa -- 31/08/2007 --

Democratizar o conhecimento e socializar os saberes como ferramenta para transformação social e econômica. Democratizar e socializar para reduzir as desigualdades regionais. Democratizar e socializar para dar oportunidades. Democratizar e socializar para dar esperanças e certezas de um futuro melhor. O poder transformador do conhecimento, monopolizado e retido nas melhores Universidades Públicas, tem que ser disseminado, gratuitamente, para toda a sociedade.

O monopólio e a retenção do conhecimento dentro das Universidades Públicas constitui, claramente, uma forma de privatização dos recursos públicos e do próprio conhecimento acumulado pela Humanidade ao longo da história.

Somente quem passa no vestibular tem acesso ao conhecimento acumulado pela Humanidade. Somente quem passa no vestibular pode assistir aulas e freqüentar uma Universidade Pública. Somente quem passa no vestibular usufrui de recursos públicos que são destinados ao Ensino Superior. A coletividade paga a conta, mas somente os eleitos pelo vestibular recebem os benefícios. Isso tudo é, sem dúvida nenhuma, uma perversidade e uma anomalia social, pois nega-se aos excluídos socialmente a possibilidade de acessarem/obterem conhecimento para se desenvolverem.

Esse sistema se torna ainda mais perverso e excludente quando, por exemplo, um docente de uma Universidade Pública pega a lista de presença para expulsar da sala de aula os alunos que não estão matriculados em sua disciplina. Não tem matrícula, não assiste aula, não recebe o conhecimento, não usufrui dos recursos públicos investidos na Educação Superior, não se desenvolve. O dinheiro da coletividade, todo pagaram a conta, foi privatizado e distribuído para um pequeno grupinho de eleitos, para a panelinha do docente.

Um dia, muito em breve, eu terei força suficiente para dizer: "O aluno fica na sala; o docente cai fora da Universidade Pública". Direi isto porque se o docente vê a educação pública e gratuita, assim como a aula que ministra em uma Universidade Pública, como uma mercadoria, o lugar dele não é em uma Universidade Pública, mas sim em uma Universidade Particular. Nas Universidades Privadas o conhecimento e a educação são mercadorias que estão a venda. E se o Professor é um vendedor, é nas particulares que ele deve estar com o seu produto.

E esse Professor terá sorte de eu só dizer, porque se fosse Jesus Cristo ele estava lascado, pois Jesus ia arrebentar tudo na bicuda. Foi o que ele fez quando chegou no templo e viu aquele monte de comerciante tomando conta do lugar. Derrubou tudo na bicuda e disse: "Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões." (Mateus, cap. 21, Vers. 12-13).

Precisamos democratizar o conhecimento e socializar os saberes para reverter e impedir o avanço da privatização dentro do espaço público. Todos os cidadãos tem direito de usufruir do patrimônio coletivo, da coisa e do espaço público. Todos os cidadãos pagam pela Educação Pública gratuita, portanto, todos devem receber o produto que compraram. Precisamos criar mecanismos para que todos exercem e usufruam da Educação e do conhecimento que são transmitidos e ensinados nas Universidades Públicas. E esse mecanismo é a democratização do conhecimento e a socialização dos saberes.

Mas o que isso quer dizer realmente ? Quer dizer que o Professor das Universidades Públicas irá receber com justiça os direitos autorais daquilo que produziu e criou. Mas jamais será reconhecido ao Professor, ao Estado, à lei, ou seja lá quem for, o direito de impedir o acesso ao conhecimento e aos saberes. O Ser Humano necessita do conhecimento, acumulado pela Humanidade ao longo de sua história, para desenvolver-se e evoluir. Impedir uma pessoa de ter acesso a isto, é impedi-la de desenvolver, é impedir a sua consciência de crescer, é impedir o exercício de sua liberdade. O acesso ao conhecimento e aos saberes é um Direito Humano.

USP no Second Life ???

Estão tentando construir um espaço público em cima de uma propriedade privada ? Estão tentando construir uma rede educacional dentro de um jogo ? A interatividade do Second Life é muito interessante, contudo, para ser utilizada em projetos sociais, deve ser construída em uma outra plataforma, em uma plataforma pública, em um ambiente virtual público.

Colocar conteúdos e dados públicos, assim como inteligência coletiva, em uma plataforma privada, criada por uma empresa capitalista e que tem o lucro como objetivo, é uma estupidez, pois quando o projeto estiver sendo acessado por milhões de pessoas, a empresa, dona da plataforma, simplesmente irá fechá-lo e passará a cobrar taxas de quem quiser acessá-lo. Portanto, essa idéia de levar a USP para dentro do Second Life não é inteligente.

A USP tem que criar um Second Life próprio, assim como criou um STOA. Por que o pessoal do STOA não cria o Second Life da USP ? Eu tenho idéias que dariam motor de foguete para o Second Life - STOA.

-------------------------

USP lança projeto Cidade do Conhecimento no Second Life

Estadão Online - 28/08/2007

Evento realizado nesta terça reúne especialistas para inauguração do programa no mundo virtual

Lucas Pretti, do estadao.com.br

Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")
SÃO PAULO - O projeto Cidade do Conhecimento, da Universidade de São Paulo, entra nesta terça-feira, 28, para o mundo virtual, comemorando seus sete anos de existência. A instalação do programa - que cria, planeja e desenvolve projetos de emancipação digital - no Second Life tem sua inauguração nesta terça, marcada pela realização do evento "Da web 2.0 ao capitalismo 3.0".

Veja também:

link Site do evento

link Transmissão ao vivo do evento (apenas para comunidade acadêmica da USP) video

O encontro reúne especialistas no Second Life e professores de universidades parceiras para discutir os novos rumos . Após a realização do primeiro debate, que abordou as questões econômicas que envolvem os novos mundos virtuais, acontece agora a segunda mesa, que tem a participação, entre outros, do editor-chefe de Conteúdo Digital do Grupo Estado, Marco Chiaretti. O tema deste debate é Criação de Conteúdo e Estratégias de Inovação na Web 2.0.

Projeto

Um grupo de seis universidades brasileiras já aderiu ao projeto Cidade do Conhecimento 2.0, apoiado também pela distribuidora do Second Life no Brasil, Kaizen Games. Trata-se de um espaço sem fins lucrativos e de compartilhamento de informações (lógica do creative commons) com o objetivo de incubar projetos, promover oficinas e experimentar soluções para a Web 2.0.

A iniciativa, batizada de Second Life Pro Bono (termo jurídico atribuído à prestação de serviços voluntária), recebeu como doação um auditório pela University of Southern California, nos Estados Unidos, e um território pela Kaizen Games.

Os primeiros projetos que a Cidade vai sediar são oficinas voltadas à própria utilização do Second Life. Além deles, qualquer pessoa pode inscrever idéias para serem desenvolvidas no campus virtual. Se, quando essas idéias estiverem maduras, houver interesse de empresários, o direito de vendê-las é do autor, e não das empresas envolvidas na Cidade do Conhecimento.

São parceiras da USP no projeto a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Faculdade Casper Líbero, Universidade de Santo Amaro (Unisa) e Mackenzie.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Mensagem do Diretor sobre os acontecimentos na FD-USP

Ofício GDI/254/27082007 - Enviado para os Alunos, Professores e Funcionários da Faculdade.
São Paulo, 27 de agosto de 2007.
Possui o presente o único intuito de prestar contas acerca das decisões tomadas na passada semana.
No dia 21 de agosto, por volta das 18:30h, já em curso as aulas do período noturno na Faculdade de Direito da USP, dezenas e dezenas de simpatizantes da Educafro começaram a se reunir na Sala dos Estudantes. Pouco depois, irromperam no prédio principal da Faculdade, com suas bandeiras e tambores, seguidos por numerosos membros do Movimento dos Sem Terra, com seus colchões, caixas de víveres e insígnias, além de cerca de vinte e cinco crianças. Outros movimentos o seguiram, com muito alarido. A passarela que une o citado edifício ao anexo I da Faculdade e outros corredores foram bloqueados com móveis, e passaram a ser controlados; funcionários, professores e alunos foram retidos por até meia hora; e portas foram lacradas com correntes de grosso calibre e cadeados pelos invasores.
Uma vez guardados os pontos estratégicos, cerca de trezentas pessoas se instalaram no pátio e iniciaram um grande show, com a presença do cantor Tom Zé. O objetivo de permanência, além de ter sido vocalizado como ponto insuscetível de discussão, era comprovável materialmente. Quem deseja apenas fazer uma manifestação não carrega consigo cerca de oitenta colchões, caixas e caixas de comida e bebida, além de escudos humanos infantis! Apenas começado o espetáculo, um grupo de representantes dos invasores exprime o desejo de negociar. Naquele momento, nenhum grupo estudantil tendo reivindicado protagonismo ou participação na invasão, o atual Presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto ofereceu-se para mediar acordo entre a diretoria da Faculdade e os ocupantes: mediação, de per si, implica em não ser parte!
Face ao quadro acima descrito, em contato permanente com a Magnífica Reitora da USP, decidi que, por dever de ofício, o estado de coisas deveria ser revertido.
A oferta de negociação constituía-se em eufemismo para a imposição de inaceitável fato consumado. Justamente por isso não houve, em nenhum momento, qualquer acordo aceitando a permanência dos invasores nas dependências da Faculdade. Até porque os bens públicos de uso especial estão adstritos a um regramento legal que exige do administrador o zelo necessário a sua destinação. Além disso, a Faculdade possui objetivos meios e objetivos fins, cuja busca não pode ser interrompida sob pena de responsabilização civil e penal de seu diretor, a quem cabe, ademais, velar pela integridade de alunos, funcionários e professores.
Face ao esbulho possessório e ao risco que corriam pessoas e o imóvel tombado, o pedido para que a Polícia Militar retirasse os invasores, com as cautelas devidas, era não somente legal, como também legítimo. Se de um lado não é usual nem desejável a entrada da polícia nas dependências da Faculdade, de outro não se tem notícia de uma invasão concertada de movimentos sociais nas centenárias Arcadas.
A polícia não entrou para sufocar discussões e mesmo protestos, ínsitos à democracia. Impediu apenas a continuação de ilegalidades, como o cerceamento do direito de ir e vir das pessoas que estudam e trabalham no local e a interrupção do processo educativo, garantindo, enfim, que uma faculdade pública, construída com muitos esforços em cento e oitenta anos, pudesse continuar a cumprir seu papel, sua verdadeira função social.
Malogrado o intento e desalojados os invasores, dois fatos são dignos de nota. Membros dos movimentos sociais, em altos brados diziam: "não somos invasores, fomos convidados pelo Centro Acadêmico XI de Agosto". Somente então simpatizantes da UNE e a atual diretoria do referido centro acadêmico passaram a brandir o argumento da presença estudantil e a invocação da democracia. Esta soava falsa, após os atos autoritários e ilegais que acabavam de ser praticados.
Convidado pelo atual Presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, reuni-me com os alunos no dia 23 do corrente, quinta-feira, das 19:00h às 21:15h, na Sala dos Estudantes para uma Conversa Aberta, sobre os episódios em questão. A referida sala e seu espaço lateral contavam com cerca de trezentos alunos. Após a minha fala e a do Professor Marcus Orione Gonçalves Correia, expressaram-se dezenas de alunos. Cerca de oitenta por cento dos presentes apoiavam a liberação, enquanto o restante não. Um dos aspectos discutidos pelos alunos foi se o atual Presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto tinha ou não conhecimento prévio da invasão da Faculdade. Acabou por assumir que soubera do que iria ocorrer na semana anterior! Tal afirmação denota, no mínimo, conivência! Por outro lado, vários dos alunos que se pronunciaram condenando a desocupação, afirmaram ser de outras Unidades da USP e confessaram, espontaneamente, haver participado da tomada e ocupação da Reitoria no primeiro semestre deste ano. Pela primeira vez, percebi elo efetivo entre o ocorrido na Reitoria da USP e no Largo de São Francisco. Veio-me então à mente que, nos últimos tempos, nossos alunos e professores vêm sendo refratários a aderir às greves anuais que se sucedem na Universidade. E que, no primeiro semestre do corrente ano, apesar dos ingentes esforços da atual diretoria do Centro Acadêmico XI de Agosto, nossos alunos rejeitaram a declaração de greve. Assim, paralização, somente se fosse importada!
Estava programada para o dia 24 de agosto uma série de manifestações no centro da cidade, em que se esperava a participação de multidões e que poderiam desencadear novos incidentes que colocariam em risco alunos, funcionários e professores, além do próprio prédio. Nesse sentido, medida administrativa de natureza cautelar foi tomada, com ciência da Magnífica Reitora, suspendendo o expediente, as aulas e demais atividades acadêmicas programadas para aquele dia.
O Território Livre de São Francisco continua a existir, preservado e aberto para acolher debates de idéias que conduzam, inclusive, às mudanças sociais de que o Brasil anseia e necessita. Espera-se que os movimentos sociais respeitem e se aliem a Universidade, pois é no recinto desta que se encontra o ambiente propício para a discussão e o avanço de seus legítimos propósitos.
Atenciosamente,
João Grandino Rodas
Diretor

Pérolas do Leonildo

A santíssima Trindade --

O mundo atual é controlado pela santíssima trindade: o capitalismo, o cristianismo e a democracia. A Democracia garante a liberdade. O capitalismo explora e o cristianismo ameniza. A Democracia garante a liberdade de ação, a livre iniciativa. O capitalismo usa a liberdade democrática para explorar e para oprimir, pois o que importa é o lucro infinito e tudo está a venda. E o cristianismo acalenta as almas, impede as revoltas e condena os subversivos ao inferno. Enfim, a Democracia dá o porrete, o capitalismo bate e o cristianismo assopra.

----------------------
Os medíocres são facilmente substituíveis, pois são todos iguais. Porém, aqueles que estão muito acima da média constituem pontos fora da reta. Estes são insubstituíveis, pois são únicos. Einstein criou a Teoria da Relatividade. Morreu sem acabá-la e até hoje ninguém conseguiu terminar o que Einstein começou. Einstein é insubstituível.

----------------------
O futuro está aqui. Você pode não acreditar, mas está. Em outras palavras, o futuro está dentro do presente. Contudo, ele está fragmentado, despedaçado, dividido em milhões de pedaços. Por isso não conseguimos vê-lo completamente, apenas pedaços de futuro no presente, mas está tudo aqui. Os tiranos de amanhã ainda estão sendo amamentados ou estão na escola. O Estado totalitário ainda está na prancheta. O controle de pensamento e de pensadores ainda está em fase de teste. Vejam Catanduvas: que maravilha de presídio para presos políticos, ou para intelectuais subversivos e jornalistas fofoqueiros.

O futuro que irá se concretizar depende de como os pedaços de futuro no presente se juntam e se ligam, ou seja, o cenário e os fatos de amanhã estão sendo montados hoje. A essência desta observação é que podemos interferir no resultado, induzindo variáveis. Para isto, precisamos apenas detectar e aproximar pedaços de futuro no presente e catalisar uma ligação entre essas partes. Assim, determinaremos a formação do futuro que desejamos. Enfim, nós podemos determinar o amanhã e construir o futuro agindo hoje, com nossas idéias, nossos projetos e nossas iniciativas.

----------------------
A pulverização da classe dominante

Existe uma classe ou apenas grupos dominantes ? Suspeito que tenha acontecido uma pulverização da classe dominante em milhares de pequenos grupos hegemônicos, cada um controlando e ditando as regras de uma área, de uma temática.

Por exemplo, se o assunto é propriedade rural a classe dominante é constituída pelos ruralistas e os dominados/oprimidos são os sem-terra, excluindo-se desta relação dominante/dominado os trabalhadores urbanos. Se o tema é proteção ambiental são as madeireiras, ou algumas Ongs, contra as comunidades indígenas. Se a questão é Administração Pública, a classe dominante é a burocracia estatal, ou seja, os burocratas são os opressores e os cidadãos ou usuários do serviço público, são os oprimidos. Assim, o INSS é o opressor, enquanto os aposentados são os oprimidos; as Secretarias de Segurança Públicas formam uma classe dominante, enquanto que os Presidiários e seus familiares são os oprimidos, etc.

----------------------
Coisas que não tem preço:

Juiz de primeiro grau, incluindo o oficial de justiça, R$ 50.000,00.
Juiz Federal, com um delegado Federal embutido, R$ 100.000,00.
Desembargador com atendimento 24 horas, R$ 500.000,00.
Ministro do STJ, incluindo o irmão, R$ 1.000.000,00.
Fazer Justiça com as próprias mãos não tem preço.
Tem coisas que não tem preço. As outras sentenças você compra com um Mastercard.

-----------------
Risco-Judiciário: 3000 pontos
Garantia de justiça: 0,1%
Garantia de injustiça: 99,9 %
O judiciário não se relaciona com justiça, mas ao contrário, é uma instituição que garante as injustiças.

---------------
A venda de sentença é mais um negócio do capitalismo globalizado. A justiça virou um produto.
E, mais uma vez, quem tem dinheiro sai na frente, pois agora, talvez desde sempre, a justiça é mais uma mercadoria que se pode comprar na esquina, na internet, etc.
Se pessoas são vendidas, por que as sentenças e a justiça não seriam ?
E a tal segurança jurídica? O que acontece com ela depois dessa enxurrada de venda de sentenças ?
Agora está bem claro: quem tem poder econômico compra a sentença, compra a justiça, compra os juízes.
Será que os fazendeiros também estão comprando liminares para reintegrarem posses de fazendas improdutivas invadida pelos sem-terra?
Será que os madeireiros estão comprando liminares e sentenças para continuarem desmatando e derrubando as florestas?
Será que os industriais, os banqueiros, etc estão comprando liminares e sentenças judiciais que declarem as greves injustas e obriguem os trabalhadores a retornarem ao trabalho, garantindo, assim, a continuidade da escravidão e da opressão patronal?
Será que os proprietários estão comprando liminares para despejarem as famílias que ocupam terrenos e prédios vazios nas cidades grandes?
Será que os corruptos estão comprando liminares para trancarem processos ou liberarem bens bloqueados pelos poucos juízes sensatos e coerentes?
Em todos esses casos o poder econômico, com sua infinita capacidade de corrupção, é uma das partes, enquanto na outra estão os Hipossuficientes ou a coletividade.
Um Ministro do STJ custa R$ 1.000.000,00. Quanto custaria um Ministro do Supremo?
A justiça brasileira é suspeita de prostituição. É injusta e está a venda.
O próximo passo será o leilão de sentença e de decisões judiciais. Quem paga mais, leva.
Quem acredita na justiça do judiciário brasileiro, também deve acreditar em ET de Varginha, Saci-Pererê, mula sem-cabeça, coelhinho da páscoa, Papai Noel, etc.

--------------------------
Revolução Negra

A coletividade é negra, ou seja, a maioria da população brasileira é composta por negros. Logo, o poder do Estado pertence aos negros. O poder do Estado tem que ser exercido pelos negros e em benefício dos negros.
Está na hora de acabarmos com a hegemonia e a tirania dos brancos sobre os negros.

-----------------------
Direitos Humanos é para classe dominante. É coisa de rico. Para criminosos, pobres, negros e demais minorias excluídas só existem Direitos Desumanos.

---------------------
A Igreja tem razão em criticar o governo

As políticas sociais do governo estão reduzindo as desigualdades e acabando com a pobreza. Isso é um grave problema para as igrejas, sejam evangélicas ou católicas, que se desenvolvem e proliferam nas periferias e em áreas de extrema pobreza. Se o governo acabar com os pobres quem é que as igrejas vão enganar e escravizar ? Quem é que vai alimentar os seus cofres, seja do Vaticano ou do Edir Macedo ? Deus é necessário na vida do homem, pois o homem precisa de Deus, mesmo não acreditando nele. Contudo, determinadas correntes religiosas só servem para enganar os humildes, confundir os de pouco conhecimento e roubar o peregrino de boa-fé.

---------------------

Perguntas difíceis de responder:

"A Democracia é importante em um país no qual a maioria da população não sabe se terá a refeição do dia seguinte? Quem ganha com a Democracia? É relevante a liberdade de expressão em uma nação onde 65% dos indivíduos são analfabetos funcionais? Há Democracia e Justiça em um país no qual os juízes e tribunais são parciais e não cumprem a Constituição? O que você prefere: roubar, traficar e matar ou morrer de fome?"

Conclusão: Com um salário de R$ 2.000,00, ou mais, é fácil defender a democracia de fachada, o direito inconstitucional, a justiça parcial e a liberdade de impor expressão, inclusive com unhas e dentes. Contudo, o povo suporta alegremente uma ditadura que lhes dê emprego e mesa farta, pois Democracia "não enche barriga".

----------------------------
A Fuvest é um vestibular inteligentíssimo. Eles pedem livros e contos que, durante o vestibular, a maioria dos vestibulandos pensa ser uma leitura inútil. Mas não é. A literatura também é uma arma perigosa se for manejada com maestria. É um exemplo disso o fato dos regimes totalitários prenderem e matarem os poetas e os escritores.
Lembro-me de quando prestei o vestibular da Fuvest. Li todos os livros, incluindo Machado de Assis, Guimarães Rosa, etc. Contudo, o livro que achei mais interessante e próximo da realidade atual foi o "Macunaíma" do Mário de Andrade. Vivemos em um país de macunaímas, golpe em cima de golpe, picaretagens embaixo de picaretagens, safadeza atrás de safadeza.

Mas além desse livro, um outro texto também me chamou a atenção. Foi "O Velho do Restelo" de Camões. Também vivemos em um país cheio de velhos do restelo. Gente que tem o corpo no século XXI, mas a cabeça continua no século XVIII. Gente que só sabe dizer: "Isso é impossível. Isso não dá certo. Isso não funciona... etc".

--------------------
Acredito que:

--- Nada é mais subversivo e revolucionário do que a distribuição pública, livre e gratuita do conhecimento, pois a instrução e a sabedoria são fontes catalisadoras de mudança e de revolução.

--- O conhecimento produzido e retido nas Universidades Públicas tem que ser democratizado e distribuído gratuitamente, pois as instituições públicas são mantidas com dinheiro da coletividade, dinheiro do povo. A obtenção do diploma deve derivar de mérito (vestibular), mas o acesso ao conhecimento deve ser livre, público e gratuito.

--- A criminalização das drogas é uma estupidez que tem que ser eliminada, pois ela transformou um problema de saúde pública em uma guerra civil violenta. No contexto atual é melhor enfrentar uma epidemia, oriunda da descriminalização, porém tratada em hospitais e por médicos; do que continuar alimentando essa guerra idiota contra o narcotráfico, os narcotraficantes e os crimes derivados. A descriminalização pode matar de overdose, porém só atinge os usuários de drogas, enquanto a proibição mata não só de overdose, mas também a tiros e atinge a sociedade como um todo, podendo acertar qualquer.

--- É impossível eliminar completamente as desigualdades de um determinado sistema. Além disso, algumas desigualdades devem existir, pois são elas que possibilitam a evolução. Contudo, não se deve admitir índices tão acentuados, principalmente de diferenças sociais. O capitalismo selvagem e gerador de desigualdades tem que ser domado e domesticado.

--- A democracia não precisa de deputados e senadores. Os cidadãos não precisam de intermediários para expressar sua vontade. Além disso, atualmente, temos tecnologia e recursos para re-configurar a democracia e possibilitar a participação direta das pessoas nas principais decisões da nação e na aprovação das leis. Por isso pretendo acabar com o Congresso Nacional e com a figura dos deputados e senadores. Contudo, isto só será possível por meio de um golpe de Estado, da dissolução do Congresso e da elaboração de uma nova Carta Constitucional (uma nova Constituinte). O atual Congresso, movido a mensalão, pizza, propina e corrupção, não tem autoridade moral, interesse ou vontade, e nem terá, em fazer mudanças desse tipo. Justificando, portanto, a realização de um golpe de Estado. Um golpe que não visará tirar o poder dos cidadãos e cedê-lo a uma classe, mas sim tirar de uma classe e devolvê-lo integralmente aos cidadãos. Está na hora da democracia representativa evoluir e se transformar em uma democracia direta. Os cidadãos atingiram a maioridade e pedem de volta o poder que cederam aos representantes legislativos. Todo poder ao povo e pelo povo.

--- De acordo com os jornais, o referendo custou, ao Brasil, cerca de R$ 274 milhões, enquanto que o Congresso Nacional custou, no ano de 2005, cerca de 5,3 bilhões (Texto completo). Isso sem contar os mensalões, as propinas, os desvios, etc. Portanto, montar um sistema de democracia direta sairá bem mais barato do que manter um monte de ladrões roubando o país em Brasília. Temos que acabar com o Congresso Nacional, antes que o Congresso acabe com o Brasil.

--- Luis XIV (1638-1715) dizia: "O Estado sou eu." Era o absolutismo e o Estado realmente era o rei, inclusive o pagamento de impostos visava a formação do patrimônio pessoal do monarca. Com o advento da Democracia o poder saiu do rei e passou para o povo. Hoje o povo, e não os governantes, podem dizer: "O Estado sou eu." Isso tem que ser lembrado sempre, principalmente em épocas e para governantes que querem submeter o povo ao Estado, que querem fazer prevalecer os interesses do Estado (geralmente interesses próprios de quem governa) sobre os interesses do povo. O Estado é o povo e o Estado deve trabalhar pelo povo.

----------------------
O poder do indivíduo no mundo globalizado

Somos adestrados, desde de pequenos, a sermos fracos e impotentes diante dos sistemas vigentes. Aprendemos a acreditar na fraqueza do indivíduo diante do Estado, da religião, da família e do poder dominante. Enfim, somos treinados, desde de criança, a sermos dóceis e, portanto, facilmente domesticáveis. É a subserviência inculcada na pessoa desde o berço.

Contudo, os tempos mudaram e a coragem para enfrentar um sistema, uma qualidade rara até então, se disseminou pelo planeta e se tornou comum nas sociedades. Uma evidência clara disso foi a ação de Bin Laden. Um homem e seu grupo desafiando e enfrentando a maior potência da terra.
---------------------

Meu site: www.leonildoc.ocwbrasil.org

Meu email: leonildoc@ocwbrasil.org

sábado, 25 de agosto de 2007

Privilégios, mimos e mordomias estatais
O prefeito de Nova York anda de metrô. Por que nossas autoridades não andam nas ruas?


Em haia, holanda, pedalando entre uma reunião e outra, passamos, meu amigo holandês e eu, por um ciclista que falava ao celular. Meu amigo me informou então que se tratava do ministro da Justiça em pessoa, e comentou em seguida: “Isso é muito perigoso... Andar de bicicleta e falar ao celular. Ele deveria parar ou pelo menos reduzir a velocidade”. E, para minha estupefação, arrematou: “Qualquer criança aprende na escola que falar ao celular enquanto pedala é ainda mais perigoso que dirigindo um carro”.

Tentando me refazer do choque cultural, fiquei refletindo sobre o estranho senso comum daquele pequeno país que, apesar de ter um décimo da população do Brasil, tem um PIB encostado no nosso e uma lista de 17 agraciados com o Prêmio Nobel. Com meu senso comum de brasileiro, ponderei a meu amigo holandês que o verdadeiro perigo era uma autoridade de tal estatura se expor em público, daquela forma, em tempos de terror mundial. E, como argumento final, acrescentei vitorioso: “Eu mesmo posso acertá-lo daqui com uma pedrada”.

“Certamente você pode. Entretanto, é importante em nosso senso de democracia que nossos representantes eleitos sejam vistos como parte do cotidiano das pessoas comuns. Isso tem um sentido de manter nossos representantes conectados com seus concidadãos, e vice-versa.” Calei minha boca e fiquei refletindo sobre a democracia brasileira.

Em nosso país, ocorre uma perversão estrutural de nossa representação democrática que considero muito mais extensa e danosa que a corrupção: o sistemático descolamento de nossos representantes do cotidiano da sociedade. Falta um José Serra fazendo feira, ou um Aécio Neves no supermercado, como fazem seus colegas parlamentares israelenses, que se misturam aos cidadãos, mesmo vivendo em estado de guerra. Ou Cesar Maia andando de metrô, como faz seu colega bilionário e atual prefeito de Nova York, Michael Bloomberg. Já imaginou uma Marta Suplicy tomando ônibus como qualquer parlamentar britânico? Um Nelson Jobim registrando queixa de assalto numa delegacia comum? Sem chance. E se eles forem clientes de serviços públicos, como escolas e hospitais? Nem pensar.
O prefeito de Nova York anda de metrô. Por que nossas autoridades não andam nas ruas?

Uma vez tendo ascendido ao olimpo chapa-branca, todos se transformam nos “doutores”, servidos por carros oficiais, motoristas, secretárias, seguranças e copeiros pagos pelo contribuinte. Um território blindado, cheio de mimos, mordomias e foros privilegiados, que os mantém isolados de nossas angústias e ansiedades de clientes do Estado.

O mais grave é que, mesmo nossos representantes egressos de setores populares, como o presidente Lula ou a ministra Marina Silva, não esboçam nenhuma tentativa de produzir uma ruptura do padrão dominante. Nossa ex-ministra, senadora e governadora do Rio de Janeiro Benedita da Silva fez campanha usando o slogan “Mulher, negra, pobre e favelada”. No entanto, todos eles, uma vez eleitos, se desmaterializam do espaço cotidiano dos simples mortais.

Semelhante desconexão da classe política do contexto cotidiano de seus concidadãos só encontra similar em países africanos e em alguns de nossos vizinhos latino-americanos. Essa síndrome de descolamento anticidadão afeta homens e mulheres que ocupam mais de 100 mil postos públicos pelo país, ou gravitam em torno deles. Isso está na raiz de nossos problemas como sociedade. Não é algo que se resolva com a melhora da distribuição de renda. Tampouco com aceleração de crescimento econômico. Mas não sou dos que acreditam que essa é nossa natureza. Que estamos condenados a ser assim. Um bom começo pode ser um movimento cívico pelo fim do foro privilegiado.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Operação abafa para salvar o Renan

Precisamos criar um comando 3C - Comando de Caça a Corrupto, pois o fim da corrupção na política e na administração pública somente será alcançado quando nós cidadãos começarmos a agir pessoalmente, ou em movimentos coletivos, contra os vagabundos. Temos que ir atrás deles, descobrir onde esconderam o dinheiro e pegar tudo de volta, incluindo juros e correção monetária. Os corruptos jamais acabarão com a corrupção. Esperar que isso aconteça é uma estupidez.

Vejam o caso do Renan: o corporativismo da corrupção vai tentar abafar tudo. Se isso ocorrer só há uma coisa a fazer: partir com tudo pra cima do Senado e dos Senadores. O povo é idiota, mas não tanto e o abuso destes vagabundos está ultrapassando todos os limites.

Senador conta com oposicionistas para se salvar

Estadão Online - 23/08/07 --

Segundo cálculos de Renan, alguns senadores do DEM e do PSDB votariam por absolvê-lo

Expedito Filho e Marcelo de Moraes

Brasília - Uma operação-abafa, envolvendo número expressivo dos senadores oposicionistas, vem sendo articulada para salvar o mandato do presidente do Senado, Renan Calheiros ( PMDB-AL). Investigado por supostamente permitir que a empreiteira Mendes Júnior pagasse despesas pessoais, Renan já contabiliza a seu favor não apenas votos da base governista. Pelo menos sete senadores do DEM e alguns tucanos estariam dispostos a votar por sua absolvição.

O próprio Renan confidenciou a aliados que já tem o número de votos necessários para evitar a cassação em plenário. A lista de senadores do DEM que estariam dispostos a não cassar Renan inclui Romeu Tuma (SP), Edison Lobão (MA), Antonio Carlos Magalhães Júnior (BA), César Borges (BA), Heráclito Fortes (PI), Adelmir Santana (DF) e Maria do Carmo Alves (SE).

O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), chegou a ser advertido por colegas de partido pelo excesso de cordialidade demonstrada a favor do presidente do Senado e também é apontado como um provável voto pró-Renan.

Um dos primeiros a perceber o movimento foi o vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), que estranhou a mudança de comportamento de tucanos, em reunião da Mesa Diretora, que acabou absolvendo Gim Argello (PTB-DF). “O PSDB mudou o comportamento e agora deve apoiar Renan”, revelou Viana a um amigo.

Entre os tucanos, o movimento contra a cassação teria sido detonado por ordem de um governador do partido. Como a votação que definirá o destino de Renan será pelo voto secreto, senadores tucanos dão declarações públicas pela cassação, mas nos bastidores já teriam se comprometido a socorrê-lo. “Isso é mentira. O PSDB votará pela cassação”, garante o senador Tasso Jereissati (CE), presidente do partido.

Por ironia, a maior preocupação de Renan é com o PMDB, onde quatro senadores estão dispostos a não apoiá-lo. Pelo menos três sonham em ocupar seu posto. Nesse grupo estariam os senadores Jarbas Vasconcelos (PE), Gerson Camata (ES) e Mão Santa (PI). Sem a mesma ambição, Pedro Simon (RS) votaria pela cassação.

Essas defecções seriam neutralizadas pelo apoio expressivo dos oposicionistas. As contas e promessas veladas de votos estão até aqui protegidas por um sigilo quase de alcova. E é com a força desse silêncio que o presidente do Senado pretende se manter no posto.

Ontem, os aliados de Renan comemoraram também o resultado do laudo oficial da Polícia Federal, entregue aos três relatores que analisam seu caso no Conselho de Ética. Para o grupo de Renan, o laudo sustentaria que ele não cometeu nenhuma fraude, desvio de recursos ou falsificação de documentos. No máximo, abriria lacunas para alguma explicação. Segundo seus aliados, com esse laudo, senadores que querem absolver Renan teriam argumentos para sustentar suas posições.

Sobre o empréstimo feito a Renan pela locadora de automóveis de seu primo, Tito Uchôa, revelado pelo laudo, seu aliado, Waldir Raupp (RO), líder do PMDB no Senado, diz que não significa problema. “Foi um empréstimo normal.”

domingo, 19 de agosto de 2007

Analisando o texto abaixo, você consegue ver a importância do Projeto OCW-USP para o Brasil ?

-------------------------------
O elitismo do ensino superior

O IBGE divulgou neste mês, na Síntese dos Indicadores Sociais, um dado inédito que ajuda a entender o perfil do estudante que consegue chegar na universidade pública.

Pela primeira vez, o instituto pesquisou o perfil socioeconômico do universitário de instituições públicas.

O resultado confirma o que já se sabia: a maioria dos estudantes (60%) dessas instituições pertencem à camada dos 20% mais ricos da população brasileira.

Entre os 20% mais pobres, apenas 3,4% estão representados nas universidades públicas.

Esses números não deixam dúvida quanto ao caráter elitista da universidade pública. No entanto, sua análise fora de contexto pode levar a conclusões simplistas.

Infelizmente, o IBGE não fez o cálculo do perfil socioeconômico dos alunos das universidades privadas. A pergunta que deveríamos nos fazer é: a universidade particular é mais ou menos elitista do que a pública?

Os números do IBGE não permitem obter essa resposta. No entanto, uma pesquisa já citada muitas vezes nesta coluna, do sociólogo Simon Schwartzman, mostra que o ensino superior como um todo é elitista.

Schwartzman fez o mesmo cálculo com base na Pnad de 1999, quando não era possível separar a rede pública da particular nas análises dos resultados. Sabemos, no entanto, que 70% dos estudantes do ensino superior brasileiro estão na rede privada.

Sabemos também, a partir dos estudos de Schwartzman, que os estudantes que pertenciam aos 20% mais ricos ocupavam 71% das vagas de todo o ensino superior em 1999.

Esse dado não deixa dúvida: não é só a universidade pública que é elitista. Esse é um problema de todo o sistema, e não apenas das instituições mantidas com o nosso dinheiro.

Os dados do IBGE também mostram outra faceta desse elitismo. É comum ouvir o argumento de que o problema do elitismo nas nossas universidades não é delas, mas sim do ensino médio. Em outras palavras, as universidades - públicas ou particulares - receberiam os alunos mais ricos porque o filtro social aconteceria mais cedo, no ensino médio, porque muitos estudantes pobres não conseguiriam completar o ensino médio, condição fundamental para entrar na universidade.

O IBGE mostra que essa afirmação é uma meia verdade.

Do ensino fundamental para o ensino médio, é inegável que existe um filtro social e que muitos estudantes pobres ficam pelo caminho. Na faixa etária de 7 a 14 anos, todas as faixas de renda pesquisadas, da mais pobre à mais rica, a taxa de frequência escolar é superior a 90%.

Dos 15 aos 17, essa taxa já começa a variar. Entre os 20% mais pobres, 71% estudam. Entre os 20% mais ricos, 94% estudam. Isso mostra que os pobres começam a abandonar o estudo mais cedo, mas nenhum filtro é tão elitista quanto o dos vestibulares.

É na passagem do ensino médio para o ensino superior que as estatísticas mostram que ocorre a maior elitização. Provavelmente, em qualquer lugar do mundo as universidades acabam atraindo os alunos mais ricos. No caso do Brasil, no entanto, os dados deixam claro que essa elitização é mais perversa.

É por isso que é tão importante discutir sobre temas como cotas, aumento de vagas nas universidades públicas, bolsas de estudo, financiamento, cursos para carentes ou qualquer outra proposta com o objetivo de aumentar o acesso dos pobres à universidade, incluindo a mais do que óbvia necessidade de melhorar a qualidade do ensino dado aos mais pobres.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Superdotação e Talento

Leonildo Correa -- 2004

De acordo com Souza (2002) uma criança que tem QI (Quociente de Inteligência) em torno de 140 aproveita apenas 50% de uma aula comum, ou seja, o resto do tempo é utilizado numa espera tediosa de repetição do óbvio. Já uma criança com QI de 170 praticamente nada aproveita das aulas normais.
---------
Einstein teve uma infância difícil, não gostava da escola e entrou na lista dos repetentes. Outro gênio, o pintor holandês Van Gogh padeceu de desajustes psicológicos, assim como o matemático francês Pascal, que aos sete anos já fazia cálculos. Os exemplos são extremos, mas servem de alerta aos pais de crianças com talentos ou aproveitamento escolar excepcionais para sua idade e dificuldades de adaptação social. Essa combinação de sinais pode esconder a face de um superdotado, que requer atenção e cuidados especiais, talvez até eventual acompanhamento terapêutico.
------------
A criança superdotada caracteriza-se por ser mais rápida do que as outras, com ou sem o professor; por questionar informações e conceitos, discordando do que foi passado e do nivel da informação recebida e sempre tendo uma postura crítica e de julgamento, não aceitando e nem reconhecendo a função da escola e do professor, uma vez que se coloca no mesmo nivel que ele. Revela extensão de informações nas diversas áreas. Apresenta independência no trabalho e no estudo. Enfrenta situações conflituosas em trabalhos de grupo, pois seu conhecimento e visão se encontram acima dos colegas e isto não é aceito por eles. Provavelmente continuará opondo-se a ordens, normas, disciplina e diretrizes.

Trabalho realizado em 2004 -- Texto completo

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

O poder de ataque dos vírus

Leonildo Correa 13/08/2007

Eu li um texto no STOA falando dos seres unicelulares e da força de arrasto. Depois de ler esse texto resolvi escrever algo sobre o poder de ataque dos vírus.

O texto de Ewout Ter Haar (ler texto) diz que: "Para organismos unicelulares natação é bem diferente do que para organismos do nosso tamanho. Se você for muito pequeno, efetivamente a viscosidade e as forças de arrasto são tão grandes, que você vive num mundo “sem inertia” e as forças de gravidade são de pouca importância."

Certamente, as forças NATURAIS são inexoráveis, principalmente para seres tão pequenos. Contudo, o fato das forças Naturais serem inexoráveis não impede a ação deste pequenos organismos sobre o ambiente no qual estão inseridos. E a ação desses pequenos é tão forte e elaboradas que são capazes de atacar, controlar e destruir sistemas que infinitamente maiores que o seu tamanho.

Um exemplo claro disso é o vírus. Um ser exponencialmente menor do que os unicelulares e com um poder de fogo e de ataque capaz de dizimar todo o exército americano em questão horas. Portanto, o tamanho não significa inteligência e não quer dizer nada sobre o poder de ação de um ser. A ação feita com inteligência derruba e desarma quaisquer inimigos, quaisquer sistemas, não importando o número daqueles que estão do outro lado. Mas vamos às medidas.

Em uma busca rápida na internet descobri que "Os vírus apresentam uma grande variedade de forma e de tamanho. O diâmetro dos principais vírus oscila de 15-300 nm. O vírus da varíola é o maior vírus humano que se conhece (300x250x100 nm), enquanto que o da poliomielite é o menor vírus humano (20 nm de diâmetro). O vírus da febre aftosa, responsável por uma doença em gado, possui 15 nm, sendo portanto, menor que o poliovírus." (Texto da busca)

Mas quanto vale 1nm. Em outra busca mais rápida ainda, descobri que 1nm (Um nanometro) vale 1,0×10−9 (dez a menos nove) metros – ou um milionésimo de milímetro. Agora, qual é o tamanho de um ser vivo, por exemplo, o homem ? 1,7 m ? Compara o tamanho do homem com o tamanho do vírus e diga-me: um vírus pode atacar, controlar e matar um homem ? Não só pode, como mata. Basta ver o vírus da Aids.

Contudo, a força de arraste continua existindo e carregando o vírus para toda a parte. Mas o vírus não está nem aí. A força de arraste não lhe interessa. Porém, isso não impede o vírus de agir sobre o ambiente que o rodeia e controlá-lo completamente, assim como matá-lo em pouco tempo.

E o negócio é tão surpreende que chego a pensar que os vírus usam táticas de guerrilha para controlar os outros seres. Parece até que há uma inteligência em ação, dada a estratégia desses pequeninos. Veja o caso do vírus da aids. "Ele penetra no corpo humano por vias bem definidas e ataca as células importantes que fazem parte do sistema de defesa do nosso organismo." O vírus não ataca as células gordas para se alimentar. Nem as mais gostosas ou desprotegidas. Ele não faz isso. Ele vai direto nas células de defesa. Nos soldadinhos chamados linfocitos. "O HIV destrói os linfócitos - células responsáveis pela defesa do nosso organismo -, tornando a pessoa vulnerável a outras infecções e doenças oportunistas, chamadas assim por surgirem nos momentos em que o sistema imunológico do indivíduo está enfraquecido."

Essa é uma estratégia eficientíssima. Tão eficiente que ninguém consegue encontrar um meio capaz de eliminar o vírus do organismo. Uma estratégia que consiste em atacar o sistema de defesa e deixar o organismo completamente desguarnecido, vulnerável, à mercê da vontade do vírus.

Não só isso, veja como essas coisinhas são inteligentes: "(...) os vírus só são replicados dentro de células vivas. O ácido nucléico viral contém informações necessárias para programar a célula hospedeira infectada, de forma que esta passa a sintetizar várias macromoléculas vírus-específicas necessárias a produção da progênie viral. Fora da célula susceptível, as partículas virais são metabolicamente inertes. Estes agentes podem infectar células animais e vegetais, assim como microrganismos. Muitas vezes não produzem prejuízos aos hospedeiros, embora demonstrem efeitos visíveis."

Enfim, as forças NATURAIS podem arrastar os seres prá e prá cá. Contudo, isso não quer dizer absolutamente nada quanto ao poder de ação desses seres sobre o ambiente que o rodeia e sobre o sistema no qual estão inserido. E a experiência mostra claramente, no caso do víru, que um ser de tamanho 10−9 (dez a menos nove) metros pode atacar, controlar, derrubar e matar um ser de 1,7 metros.

E para finalizar esse texto interessante, cito a reflexão do Agente Smith no filme MATRIX:

"Eu gostaria de lhe contar uma revelação que eu tive durante o meu tempo aqui. Ela me ocorreu quando tentei classificar sua espécie e me dei conta de que vocês não são mamíferos. Isso porque todos os mamíferos do planeta entram em equilíbrio com o meio ambiente onde vivem. Mas os humanos não. Vocês humanos vão para uma área e se multiplicam, e se multiplicam, até que todos os recursos naturais sejam consumidos. a única forma de sobreviverem é indo para uma outra área, reiniciando o ciclo de destruição.

Há um outro organismo neste planeta que segue esse mesmo padrão. Você sabe qual é ? Um vírus. Os seres humanos não são mamíferos, mas sim vírus. São uma doença, um câncer neste planeta. Vocês são uma praga e nós somos a cura."

domingo, 12 de agosto de 2007

O Projeto OCW-USP e o Ensino Público Gratuito via Internet

Os medíocres e a burraiada da USP estão agindo, nos bastidores, para assumir o controle do Projeto OCW-USP e nos tirar para escanteio. Sem contar que alguns deles estão trabalhando, na surdina, para sabotar esses planos, assim como a organização Instituto OCW Br@sil. Mas eles não vencerão. Não vencerão porque nós somos pessoas inteligentes, intuitivas e obstinadas. Somos revolucionários high tec e acreditamos fanaticamente naquilo que fazemos e pensamos.

Além disso, nós sabemos que esses medíocres e a burraiada são iguais a lenhadores olhando para uma floresta: só conseguem ver lenha e carvão, nada mais do que isso. Eles olham para o Projeto OCW-USP e só conseguem ver a publicação de aulas presenciais na internet, nada mais do que isso, ou seja, possuem uma visão obtusa, limitada e estreita do Projeto e de suas repercussões.

Logo, não possuem competência e nem visão para gerenciar esse empreendimento. Por isso, eles não podem botar a mão nisso e nem controlar ou direcionar esse Projeto, pois se colocarem a mão vão estragar tudo. E depois para corrigir a lambança dará um trabalho danado.

Mas não é só os medíocres e a burraiada da USP que não conseguem ver o tamanho e a extensão desse iceberg chamado Projeto OCW. O MIT também não conseguiu ver as possibilidades disso. Por isso, o Projeto OCW-MIT começou desbravando o desconhecido, porém avançou e chegou no lugar em que todo mundo está chegando e parando: na mera publicação de aulas presenciais na internet. Não conseguiram e não estão conseguindo enxergar e avançar além disso. Vêem apenas vinte metros ao redor do Projeto. Nada mais do que isso. Eu estou conseguindo ver a duzentos metros e se eu subir nas costas dos medíocres e da burraiada consigo enxergar uns quinhentos metros.

Mas antes de avançarmos nesse texto vamos estabelecer algumas premissas. A primeira é: o Leonildo tem sérios problemas psiquiátricos, assim como mania de querer mudar o mundo e as coisas. Por isso, ele consegue enxergar mais longe do que os outros. Está bom assim ? A segunda premissa: as amadas imortais do Leonildo (Ele tem uma coleção) não gostam dele. Logo, ele não vive caçando mulheres por aí e tem bastante tempo para pensar e estudar. Posto isso vamos continuar.

O Projeto OCW-USP é o começou de uma grande revolução. Poderíamos dizer que é uma espécie de Grande Marcha que culminou com a instalação do Regime Comunista na China. O Projeto OCW-USP é a Grande Marcha. O Regime Comunista é o Ensino Público gratuito via internet. Contudo, não conte isso para ninguém, pois é o nosso plano secreto.

Certamente, a primeira coisa que os "Velhos do Restelo" vão dizer, quando nos ouvirem falando disso, é a mesma coisa que disseram para o Santos Dumont: "Impossível !!! Impossível !!! Impossível, pois o mais pesado do que o ar não pode voar." E a minha resposta para essas pessoas é um drink: um Keep Walking (Se beber, não dirija).

É difícil explicar as tecnologias atuais para pessoas de mente estreita e que não conseguem enxerga nem o que está ao lado delas, o que dirá falar de coisas que existirão daqui a vinte, trinta ou cem anos. É difícil porque essas pessoas estão com o corpo no presente, no século XXI, mas suas cabeças continuam no século XVIII. E se dependêssemos das decisões desses medíocres e da burraiada para evoluirmos estaríamos até hoje andando de cipó, usando lamparina e pombo-correio. Mesmo assim, vou falar do Ensino Público Gratuito via Internet que existirá em um futuro próximo.

O Projeto OCW-USP não se esgota em si mesmo e não visa apenas a disponibilização/publicação de aulas presenciais na internet. Isso é apenas um detalhe do Projeto. O detalhe mais evidente.

O que o Projeto OCW-USP faz realmente é iniciar a migração, completa e total, do Ensino Público Gratuito para a internet, para o ambiente virtual. Estou falando de Escola Pública Virtual, de coisas do futuro. Mas os cursos a distância não fazem isso ? A resposta é não, pois os cursos a distância atuais buscam ministrar cursos presenciais a distância. Só isso. Não fazem e não buscam nada mais do que isso.

Por isso, a lógica do Projeto OCW-USP é diferente. É diferente porque é a base de uma coisa maior, uma revolução educacional. É a primeira pedra na construção de um castelo. É a primeira árvore de uma floresta. O lenhador, os medíocres e a burraiada da USP olha para essa árvore e vê lenha e carvão. Eu olho para ela e vejo possibilidades, infinitas possibilidades, assim como o primeiro passo em direção a um futuro extraordinário.

Logo, não podemos deixar os lenhadores tomarem conta da árvore e nem da Floresta Amazônica. Estão transformando a Floresta Amazônica em lenha, carvão e madeira para construção civil. Estão transformando árvores de trezentos anos em mesa, cadeira e armário. A estupidez humana não tem limites.

Por exemplo, muito não entendem o fato do Projeto OCW-USP não emitir diplomas. Dizem os tapados, e com razão: Se o indivíduo faz o curso da USP, assiste todas as aulas, lê todas as anotações, etc por que ele não terá o diploma da USP ?

A resposta é simples: porque o Projeto OCW-USP pretende quebrar o paradigma do diploma. O diploma não é importante, pois não prova nada. É apenas um pedaço de papel que não valerá absolutamente nada se todos os registros da USP e do MEC pegarem fogo e queimar tudo.

Pergunto eu: se não houver provas da veracidade do diploma, o indivíduo que se formou pela USP perde o conhecimento que adquiriu ? A resposta é não. Portanto, o diploma não significa nada. É apenas uma mera formalidade arcaica que deveria ter sido enterrada no século XX, mas que conseguiu entrar no século XXI. O que realmente importa é o conhecimento. E nossa mira, nosso foco, deve estar no conhecimento.

Além deste, outros paradigmas serão quebrados ao longo do desenvolvimento e da implantação da cultura OCW. Por exemplo, a idéia do presencial, da bunda colada na carteira para assistir aula, do tempo necessário para formação, da idade para estudar coisas avançadas, etc. Todos esses dogmas serão quebrados e enterrados.

Antes de continuar quero falar uma coisa. A Revolução Francesa firmou na História o lema: "Liberdade, Igualdade e Fraternidade". Lema que foi dividido e se converteu em uma bandeira de luta. Um lema e três lutas: uma por liberdade, outra por igualdade e a terceira por fraternidade. Lutas contínuas que avançam de conquista em conquista. Não apenas para conquistar mais liberdade, mais igualdade e mais fraternidade, mas principalmente para se manter aquilo que se conquistou.

A primeira luta foi por liberdade. Ela não começou com a Revolução Francesa, pois essa luta sempre existiu na História Humana, mas foi nessa Revolução que ela apareceu com mais força, intensificando-se no século XIX. Inclusive podemos dizer que o século XIX foi o século de luta pela liberdade do homem e dos cidadãos, luta pelos Direitos Humanos, luta contra a opressão e tirania do Estado.

A segunda luta foi por igualdade. Essa luta também não começou na Revolução Francesa, pois ela sempre esteve presente na História Humana desde a antiguidade. Contudo, foi na França que ela se transformou em uma bandeira das classes sociais, intensificando-se exponencialmente no século XX. Assim, o século XX foi o século de luta pela igualdade entre os homens. Luta pelos direitos sociais. Época das revoluções comunistas.

A terceira luta é por fraternidade. E será travada agora, no século XXI. E as primeiras batalhas já podem ser percebidas, por exemplo, a questão da quebra de patentes dos medicamentos anti-aids, o software livre, You Tube, Wikipédia, os movimentos de Seattle, a explosão das ONGs, os Fóruns Sociais. Todos esses movimentos são transpassados por um fio comum que é a luta por fraternidade entre os homens. A lógica do lucro está sendo quebrada, a humanidade está se sobrepondo à mercadoria e ao preço. Você cobraria por um medicamento anti-aids que salvaria a vida de seu irmão ? Você cobraria direitos autorais e propriedade intelectual de um produto ou serviço que é essencial para o crescimento e para a evolução de seu irmão ?

A resposta é única: não. Não cobra porque entre você e seu irmão há uma ligação fraternal estabelecida pelo elo familiar. Essa ligação fraternal, de repente, saiu do âmbito da família e está contaminando a humanidade. Basta olhar para o Movimento anti-globalização, para os Fóruns Sociais, para as ONGs sérias e compromissadas com a Justiça Social, Direitos Humanos, etc. O mundo está mudando e tomando uma nova direção.

Mas, retomando o assunto anterior, a quebra de todos esses paradigmas da educação pública atual culminará com a instalação completa do Ensino Público Gratuito via internet e com a respectiva extinção das Escolas Públicas de Ensino Médio, Escolas Técnicas e Universidades. Existirão apenas os laboratórios e as áreas para aprendizagem manual. Mesmo assim, essas áreas irão desaparecer completamente com o desenvolvimento da realidade virtual, holografias, etc.

Assim, com as novas tecnologias que estão sendo desenvolvidas agora, o cérebro conseguirá entrar completamente em ambientes 3D, em uma realidade virtual, sem sair da cadeira do computador. Inclusive o ambiente das escolas atuais poderá ser reconstruídos em ambientes 3D e os alunos continuarem tendo aulas sentados em carteira, um atrás do outro, e todo mundo dentro de um mesmo ambiente virtual, uma sala de aula dentro do computador. Contudo, os corpos físicos dos alunos continuam em suas casas, porém conectados na internet.

Entretanto, assinalo que as creches e as escolas primárias continuarão existindo, pois essas fases são essenciais para a formação da sociabilidade humana, desenvolvimento da linguagem e aprendizagens manuais. Uma criança precisa ter contato direto com outras crianças para se desenvolver. E serão nessas fases que os pimpolhos irão aprender a usar todas as tecnologias e aprenderão a aprender utilizando a internet como ferramenta de aprendizagem. A partir da oitava série predominará a liberdade de aprendizagem e de conhecimento. O indivíduo estuda o que quer e aprende apenas aquilo que desejar.

Ele estuda via internet e, posteriormente, vai até determinado órgãos do Governo fazer as provas respectivas. Se um aluno de 11 anos estudou tudo de Direito e sabe tudo, não há razão para não se dar o diploma de bacharel em Direito para esse aluno. Basta verificar os seus conhecimentos em provas específicas e, uma vez aprovado, ele deve receber a qualificação. Aqui o paradigma da idade para acessar conhecimentos avançados será completamente quebrado. Não há razão para se nivelar pessoas. Cada um tem seus limites e suas facilidades e isso deve ser considerado na aprendizagem.

Portanto, quem vê no Projeto OCW-USP apenas a publicação de aulas presenciais na internet, deve ser mantido longe, bem longe, do Projeto. Esse Projeto é o estágio inicial da implantação do Ensino Público Gratuito via internet. É o começo de tudo. Por isso, em paralelo com o Projeto OCW-USP, serão desenvolvidos uma série de outros projetos menores visando atingir o estágio completo de migração do Ensino Público atual para o âmbito virtual. Isso poderá levar 10, 20, 50 ou 100 anos. Tudo dependerá da velocidade das mudanças e dos empecilho lançados pelos conservadores ao longo da estrada. Mas é inevitável e irá ocorrer.

Certamente, ao longo desse caminho de implantação do Projeto e da cultura OCW uma série de novas tecnologias irão aparecer e serão criadas. Essas tecnologias reunidas darão suporte e apoio ao novo sistema de ensino e educação via internet. Esse novo sistema tem grandes chances de constituir uma tecnologia genuinamente brasileira e, uma vez implantada com sucesso no Brasil, poderá constituir um dos principais produtos de exportação do Brasil, assim como os biocombustíveis, as urnas eletrônicas, etc, gerando um sistema global de Ensino Público Gratuito via internet.

Além disso, é válido ressaltar que não pretendemos, não podemos e não iremos construir o Projeto OCW-USP, assim como os demais projetos anexos e o Sistema de Ensino Público Gratuito via Internet, sozinhos. Existirão parceiros que dominam áreas e conhecimentos técnicos e linguagens de programação que nós não conhecemos. Teremos que contar com Físicos, matemáticos, engenheiros, etc, da USP e de outras Universidades. Portanto, a idéia é formar um consórcio para inovação.

Um consórcio que reunirá pessoas que já estão desenvolvendo tecnologias pontuais que, aglutinadas a outras tecnologias, dará vida e suporte ao Sistema de Ensino Público Gratuito via internet. Além disso, é necessário que os professores de educação e pedagogia, assim como todos os profissionais das demais áreas acadêmicas, comecem a desenvolver novas técnicas de ensino e aprendizagem, considerando a emergência do Ensino Público Gratuito via internet. É um ambiente completamente novo de aprendizagem onde tudo pode ser acessado na hora (texto, áudio, vídeo, etc).

O uso do ambiente virtual, para aprendizagem, na atualidade ainda é excessivamente limitado e restrito. As pessoas não sabem utilizar a internet como ferramenta para aprender mais. Não só isso, as informações disponíveis na internet hoje são fragmentadas, dispersas, não confiáveis, etc. Por isso, precisamos de Projetos OCW, aulas open e free com certificados de autenticidade, professores gabaritados ensinando, gratuitamente, para todos os brasileiros, etc. Tudo isso reunido em um local fácil de encontrar. Em um local sem login e sem senha, pois o símbolo máximo do monopólio do conhecimento e da retenção dos saberes dentro de uma Universidade Pública é o login e a senha para acessar conteúdos digitais.

Não só isso, o Governo tem que fazer a parte dele que é informatizar e instalar internet em todas as escolas públicas do país e dar possibilidades para que todos os alunos pobres recebam o notebook de cem dólares, assim como todos os professores tenham computadores conectados à internet.

Essas condições são imprescindíveis para que a próxima geração comece a entrar no Ensino Público Gratuito via Internet. Certamente, os próximos 20 anos (talvez menos, pois no mundo da tecnologias as coisas acontecem rapidamente) será um período de transição, construção e descobertas, havendo o convívio entre o ensino tradicional com o ensino virtual, mas com declínio do primeiro.

Além disso, o Governo deve disponibilizar e liberar recursos para o desenvolvimento deste Projeto OCW-USP, assim como para a construção dos demais Projetos que estarão ligados a ele. É um projeto feito para a coletividade e que beneficia toda a coletividade, sem distinção e sem exceção. É uma porta aberta para o desenvolvimento social e econômico.

Enfim, o Ensino Público Gratuito via Internet será uma realidade inevitável e nosso trabalho, no Instituto OCW Br@sil, é construir e concretizar esse futuro que vislumbramos agora. Para isso temos que democratizar o conhecimento, socializar os saberes e unir tecnologias, gerando, com isso, inovações e soluções inteligentes. A revolução da fraternidade está em curso. Estamos no século XXI.

O Projeto OCW-USP gera desenvolvimento

O acesso gratuito e aberto ao conhecimento e aos saberes gera desenvolvimento, produz inovações e reduz as desigualdades. Isso porque o conhecimento é uma ferramenta para solução de problemas e transformação social. Se todas as pessoas tiverem essa ferramenta, os problemas serão atacados de todas as formas, possíveis e impossíveis, e em todos os seus ângulos, conhecidos ou desconhecidos.

Soluções que alguns não vêem, outros verão. Perspectivas que alguns não têm, outros terão. E o problema será visto de baixo, de cima, de lado, de dentro, de fora e até da quarta dimensão. Com isso, novos caminhos serão abertos e novas estratégias encontradas. Quanto mais pessoas tiverem acesso ao conhecimento, mais rápido caminharemos para o desenvolvimento e mais soluções eficientes e inovadoras encontraremos.

Por isso, as três ações fundamentais que marcarão o século XXI serão: compartilhar, democratizar e socializar. O sucesso das redes P2P, do You Tube, da Wikipedia, etc derivam dessas ações.

Hoje, no Brasil, poucas pessoas têm acesso ao conhecimento. Poucas pessoas têm poucas visões, encontram poucas soluções, geram pouco desenvolvimento e produzem poucas inovações. Portanto, o monopólio e a retenção do conhecimento e dos saberes, dentro das Universidades Públicas, são fatores inibidores do crescimento econômico e do desenvolvimento social.

domingo, 5 de agosto de 2007

Argumentos favoráveis ao Projeto OCW-USP

O acesso gratuito e aberto ao conhecimento e aos saberes gera desenvolvimento, produz inovações e reduz as desigualdades. Isso porque o conhecimento é uma ferramenta para solução de problemas e transformação social. Se todas as pessoas tiverem essa ferramenta, os problemas serão atacados de todas as formas, possíveis e impossíveis, e em todos os seus ângulos, conhecidos ou desconhecidos.

Soluções que alguns não vêem, outros verão. Perspectivas que alguns não têm, outros terão. E o problema será visto de baixo, de cima, de lado, de dentro, de fora e até da quarta dimensão. Com isso, novos caminhos serão abertos e novas estratégias encontradas. Quanto mais pessoas tiverem acesso ao conhecimento, mais rápido caminharemos para o desenvolvimento e mais soluções eficientes e inovadoras encontraremos.

Por isso, as três ações fundamentais que marcarão o século XXI serão: compartilhar, democratizar e socializar. O sucesso das redes P2P, do You Tube, da Wikipedia, etc derivam dessas ações.

Hoje, no Brasil, poucas pessoas têm acesso ao conhecimento. Poucas pessoas têm poucas visões, encontram poucas soluções, geram pouco desenvolvimento e produzem poucas inovações. Portanto, o monopólio e a retenção do conhecimento e dos saberes, dentro das Universidades Públicas, são fatores inibidores do crescimento econômico e do desenvolvimento social.

------------

Navegar na internet é um hábito muito mais difundido entre os brasileiros do que se imaginava, segundo pesquisa Datafolha, encomendada pela agência de propaganda F/Nazca Saatchi & Saatchi. O levantamento indica que 49 milhões de pessoas, 39% da população com 16 anos ou mais, costumam acessar a rede.

39% da população acima de 16 anos acessam a web e 42% publicam conteúdo próprio; internet deixou de ser coisa de rico e democratizou a informação, avalia agência de publicidade que encomendou pesquisa.

O diretor de planejamento da F/Nazca, Fernand Alphen, afirma que os dados indicam que a internet não é mais “coisa de rico”: “Ela tem alta penetração nas classes C, D e E”. Por isso, Alphen considera que a rede contribui muito para a democratização do acesso à informação. “Quanto mais periférica é a população, mais a internet aparece como uma solução de inserção social, de acesso ao entretenimento e à informação, porque é um meio muito barato”, diz.

(Jornal Destake – 31/07/07)

-----------------

A proporção de pessoas que acessaram a Internet na população dos estudantes foi de 35,9%. Somente no Distrito Federal 57,5% e em São Paulo 51,2%, ou seja, mais da metade dos estudantes acessavam a Internet. 76,2% das pessoas com 15 anos ou mais de estudo acessavam a Internet.

Na população dos estudantes usuários da Internet, a proporção dos que a utilizaram para educação e aprendizado foi destacadamente a mais elevada (90,2%), vindo depois, mais distanciadas, as dos que a acessaram para comunicação com outras pessoas (69,7%) e atividades de lazer (65,5%). A proporção dos estudantes que a acessaram para a leitura de jornais e revistas alcançou 40,7% e as referentes às demais finalidades ficaram abaixo de 20%..

O percentual de pessoas que utilizaram a Internet no grupamento formado pelos profissionais das ciências e das artes alcançou 72,8%, situando-se no patamar mais alto. Em seguida, vieram os dos grupamentos dos trabalhadores dos serviços administrativos (59,3%) e dos dirigentes em geral (58,0%) e, depois, os dos membros das forças armadas e auxiliares (52,9%) e dos técnicos de nível médio (51,9%).

No contingente dos usuários da Internet que não eram estudantes, o maior percentual foi o das pessoas que acessaram a esta rede para comunicação com outras pessoas (67,8%), vindo, em seguida, os indivíduos que a utilizaram para educação e aprendizado (57,5%), leitura de jornais e revistas (51,7%) e atividades de lazer 45,7%.

Esse indicador atingiu 47,3% no grupamento da administração pública, 47,5% no da educação, saúde e serviços sociais e 57,9% no das outras atividades (intermediação financeira, seguros, previdência privada, atividades de informática, pesquisa e desenvolvimento etc.).

O contingente formado pelos militares e funcionários públicos estatutários, foi o que apresentou o mais elevado percentual de pessoas que acessaram à Internet (47,7%), vindo em seguida a dos empregadores (40,6%) e, depois, o do contingente das pessoas com carteira de trabalho assinada (32,6%). (IBGE–PNAD - 2005).