sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Os ratos roeram a fibra da USPNet ?!!!?

A USPnet do Bloco E do CRUSP (Bloco em que eu moro) foi cortada, ou seja, bloqueada. E a explicação dada pelo CCE, responsável pela internet do CRUSP, é que os ratos roeram a fibra. Você acredita nisso ? que os ratos roeram as fibras de internet e por isso a rede foi bloqueada ?

Eu digo claramente: não acredito nisso. Acredito que, se houve algum problema com a fibra, foi sabotagem. A internet foi cortada propositalmente para impedir o nosso acesso à rede. Para impedir que não continuássemos escrevendo e publicando textos contra determinadas pessoas e contra determinados interesses. Principalmente textos contra a máfia que opera dentro da USP.

Por falar nisso, a internet foi cortada justamente quando eu escrevi um texto denunciando a máfia que opera e tenta controlar a USP. Você já leu este texto ? Se não leu, clique aqui para ler:

http://crimeusp.blogspot.com/

Certamente, vão culpar os ratos e coisas parecidas... Afinal eles não podem se defender... Porém, a verdade é outra... Quem roeu a fibra deve ser técnico roedor e fez isso a mando da máfia que tenta controlar a USP...

Mas por que estou dizendo isso ? Porque há um histórico de sabotagens na internet do CRUSP. Desde que esta internet foi implantada, nós temos sido vítimas das sabotagens dos técnicos. Inclusive, eu já escrevi dezenas de textos sobre isso. Vou reunir todos os textos e re-disponibilizá-los no Blog que criei para reunir estes fatos.

Ultimamente, a internet até que estava estabilizada, mas, de repente, todas as sabotagens voltaram. Voltaram porque a máfia da USP foi cutucada e como eles tem funcionários em todos os locais, acionaram os seus técnicos roedores para comer a fibra...

Esse caso é um alerta principalmente para nós do Instituto OCW Br@sil, assim como para outras pessoas que tem parceria com a USP... Nós pretendemos implantar dezenas de projetos em parceria com esta Universidade e devemos observar com muita atenção as pessoas da Universidade que irão integrar os projetos, pois muitas vezes o funcionário não veio para auxiliar na construção do Projeto, veio para sabotar e impedir que a Universidade realize um trbalho social eficaz, que a Universidade seja aberta aos excluídos, aos debaixo...

A Reitoria e os Professores justos que estão na USP sabem disso... Inclusive, muitas vezes, eles mesmos foram vítimas dessa máfia. Muitos tiveram projetos, idéias e pesquisas boicotadas e foram atacados pelas costas porque colocaram em risco determinados interesses vigentes dentro da Universidade. Foram atacados porque não atenderam a determinadas recomendações ou seguiram orientações de determinadas pessoas, ou se negaram a satisfazer determinadas vontades.

Essa máfia vê a USP como extensão de seus negócios particulares. Eles vêem a Universidade como uma extensão de seus interesses, um caminho para ficarem ricos. Cada vez mais ricos. Não estão aqui porque possuem talento para a pesquisa ou queiram trabalhar com o conhecimento, com o pensamento, com as idéias. Eles estão aqui porque vêem a Universidade Pública uma oportunidade de negócio. Para eles o conhecimento e a educação universitária são mercadorias. Por isso, eles querem privatizar tudo. Este é o grande objetivo da máfia infiltrada na USP: privatizar tudo.

Certamente, privatizar para eles, ou seja, privatiza tudo, mas eles compram todas as ações para controlarem tudo... Neoliberalismo até nos ossos.

Certamente, eles não conseguirão ir muito longe, pois foram vistos. Antes eles agiam em segredo, mas agora foram visto. Como o poder que exerciam se baseava no segredo, a publicação de seus nomes e de suas ações quebram esse poder.

Portanto, tudo o que temos que fazer é manter os refletores sobre eles. Certamente, continuarão fazendo coisas como esta, por exemplo roer a fibra para bloquear a nossa internet, irão nos atacar pelas costas, etc... Mesmo assim, temos que continuar em frente, denunciando todos os fatos, mostrando a verdadeira face do mal, dos opressores e dos exploradores.

Lembre-se que a Universidade Pública somente sobreviverá se nós que importamos com o interesse público, com a coletividade, com a maioria da população (os excluídos) lutarmos contra o poder devastador do capital e dos grupos dominantes. O poder dos grupos dominantes se baseiam no segredo e na devastação do patrimônio público, assim como das instituições públicas.

Querem destruir a educação pública de qualidade, pois isso impedirá o surgimento de revolucionários e de rebeldes que contestem o seu poder. Querem destruir a educação pública de qualidade para banalizar os pensamentos, as idéias e a capacidade criativa dos cidadãos. Por isso, falam em ensino com a finalidade exclusiva de formar mão-de-obra... Eles querem privatizar tudo e montar fábricas de Eichmanns...

Mas eles não conseguirão, pois não irão passar... Não irão passar porque nós iremos pará-los e iremos combatê-los em todas as partes, em todos os campos e de todas as formas... Esta é uma lei Universal: toda ação gera uma reação em sentido contrário e de mesma intensidade... Nós somos a reação em sentido contrário de mesma intensidade....
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Governantes e administradores públicos que possuem mentalidade autoritária trabalham arduamente para controlar a internet. Sabem que um golpe contra a Democracia possui poucas chances de sucesso com a internet ligada. Por isso, buscam formas e meios de controle e de restrição.

Contudo, se fizerem isso, entrarão em um estado de regressão tecnológica. Quanto mais controlarem a internet e mais restrições colocarem, mais atrasados ficarão. Basta ver o Irã, a China, Myanmar... Enquanto nas demais nações a internet catalisa um salto de desenvolvimento e ações sociais. Nestes países fechados e com internet restrita o povo se aliena...

Eu acredito que a internet é uma arma poderosa contra o autoritarismo e contra o totalitarismo, pois ela liga as pessoas, estabelece elos de fraternidade e solidariedade, transforma pequenas gotas d'água de ação em poderosos movimentos. Vejam as contestações de Seattle, os Fóruns Sociais, etc... Tudo isso deriva do poder de transformação da internet que aproximou as pessoas e seus sentimentos...

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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

O autoritarismo da ONG Transparência Brasil

O Diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, em uma entrevista para o Jornal do Campus da USP 1-15/11/2007 diz que a Universidade existe em função da produtividade e não do "anseio" das pessoas. Afirmou ainda que estudante não tem que dar opinião. Tem é que ficar calado ! Ainda de acordo com ele, diz o Jornal, dar chance aos estudantes opinarem sobre a vida acadêmica e o futuro da Universidade é um erro que tem levado as escolas à falência.

Eu nunca atribuí muita relevância para a tal ONG Transparência Brasil. E agora, depois dessas falas do tal Direto-Executivo, concluo que esta ONG é uma organização autoritária, anti-democrática, hipócrita e nociva para a sociedade. Ao dizer que o ensino serve para formar mão-de-obra ele denunciou a finalidade escondida da ONG: dar respaldo para a exploração capitalista e alienar os membros da sociedade, tirando dos estudantes o poder de transformação e mudança.

O que ele quer é a imposição dos currículos à revelia da vontade dos estudantes. Contudo, eu pergunto, de quem é a vida que será formatada pelo currículo ? Se é a vida é do estudante, quem deve decidir é ele. É ele que será afetado. Certamente, a mentalidade autoritária gosta de impor para os outros as suas decisões.

Querem afastar os estudantes dos centros decisórios para que possam estabelecer, sem questionamentos, as regras de dominação e controle. É sempre a mesma coisa, o autoritarismo busca sempre determinar o tipo de educação, os conteúdos curriculares, as informações que os estudantes devem ou não ter...Foi por isso que os militares da ditadura mexeram nos curriculos escolares e fizeram as mudanças de cima para baixo.

Contudo, o mais surpreendente na fala do Diretor da ONG Transparência Brasil é a inversão da lógica atual. As escolas faliram, Sr. Diretor, porque os currículos foram modificados de cima para baixo sem ouvir ninguém. Quem mexeu nos currículos foram os militares e fizeram isto sozinhos. Pelo que eu saiba os estudantes não foram chamados para opinar sobre as mudanças curriculares durante a ditadura. Portanto, Sr. Diretor, de onde é que você tirou a informação de que escolas foram a falência porque os estudantes opinaram sobre os currículos ? Qual escola foi a falência por causa disso? Onde e quando ?

Além disso, os currículos dizem respeito à vida do estudante. Por isso, os estudantes deve ter o direito de escolher os modelos curriculares que são de seu interesse e que preenche os seus anseios. Isso é liberdade. Isso é Democracia. Certamente, isso é inaceitável para uma mentalidade autoritária como a sua e da ONG Transparência Brasil...

Chamo a atenção ainda para mais um ponto. Quem lê Hannah Arendt deve ter ouvido falar em banalidade do mal e vazio de pensamento. A educação meramente profissionalizante é uma educação que dissemina o vazio de pensamento, a incapacidade de pensar politicamente e socialmente, de compreender o sentido e o conteúdo das ações que pratica. Eichmann era um indivíduo banal porque não conseguia ver além das regras e das ordens, era um operário padrão dominado pelo vazio de pensamento.

Quem vê a educação como mero centro de formação de mão-de-obra está disseminando o germe totalitário na sociedade. Está tentando transformar as escolas em um centro de formação de Eichmanns, ou seja, um centro de formação de mão-de-obra que forma indivíduos altamente especializados incapazes de ver e pensar em profundidade, incapazes de compreender e ligar as suas ações com o resultado de suas ações.

Exemplos claros disso são alguns físicos e matemáticos. Entendem tudo de física e matemática, porém são completamente analfabetos políticos. São analfabetos funcionais para a política, para a ética, para os Direitos Humanos, etc...Logo, possuem uma visão estreita da realidade. Tão estreita que coloca toda a sociedade em risco.

Enfim, a função da educação não é formar mão-de-obra. Isso é um desvirtuamento completo da educação. A função da educação é formar, para a vida, seres pensantes e conscientes de sua posição na sociedade e no mundo. Seres que respeitem e compreendam a importância de se respeitar as diferenças, as liberdades, as crenças, os direitos, etc. O homem nasceu para pensar, para criar, para ser livre e se relacionar com outros seres... Logo, é para isso que a educação deve formar e preparar o homem.

Transformar a educação e o ensino em formação de mão-de-obra é dizer que o homem nasceu para a indústria, para ser empregado (escravo) de empresas e corporações. Isso é uma mentira. Uma mentira criada para aumentar a quantidade de mão-de-obra no mercado, logo barateá-la, para ampliar os lucros capitalistas. Educação para mão-de-obra não forma pessoas, forma empregados. Educação para mão-de-obra não é uma educação adequada para os seres humanos, pois primeiro deve-se formar o homem, sua consciência, sua moral, sua ética e seus valores. Depois é que se dá treinamento profissional.

É lamentável que a ONG Transparência Brasil tenha uma linha de pensamento nociva aos seres humanos e favorável à dominação e exploração capitalista. O capitalismo precisa ser controlado, humanizado e socializado e isto somente se alcançará formando homens e não empregados. Empregados não pensam, não refletem, não criticam, não se rebelam. Educação profissional serve apenas para formar empregados doceis e manipuláveis, resignados e incapazes de se rebelar diante da exploração, da opressão e das exclusões.

E, para terminar, uma última pergunta: o que o Diretor-executivo da ONG Transparência Brasil tem a ver com o ensino universitário no Brasil ? Por que é que pediram a opinião desse indivíduo obtuso sobre oes estudantes ?

Portanto, a minha conclusão é única: os estudantes devem falar e participar, os filhotes do autoritarismo e do capitalismo selvagem é que devem calar a boca !

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Reflexões de Wilhelm Reich

A tradição é importante. É democrática quando desempenha a sua função natural de prover a nova geração com um conhecimento das boas e más experiências do passado, isto é, a sua função de capacitá-la a aprender às custas dos erros passados a fim de os não repetir.

A tradição torna-se a ruína da democracia quando nega à geração mais nova a possibilidade de escolha; quando tenta ditar o que deve ser encarado como 'bom' e como 'mau' sob novas condições de vida. Os tradicionalistas fácil e prontamente se esquecem de que perderam a capacidade de decidir o que não é tradição.

Por exemplo, o aperfeiçoamento do microscópio não foi conseguido pela destruição do primeiro modelo: o aperfeiçoamento foi realizado com a preservação e o desenvolvimento do modelo primitivo a par com um estágio mais avançado do conhecimento humano. Um microscópio do tempo de Pasteur não capacita o pesquisador moderno a estudar uma virose. Suponha agora que o microscópio de Pasteur tivesse o poder e o descaramento de vetar o microscópio eletrônico.

Os jovens não sentiriam nenhuma hostilidade para com a tradição, não teriam na verdade senão respeito por ela se, sem se arriscar, pudessem dizer: '_ Isto nós o tomaremos de vocês porque é convincente, é justo, diz respeito também à nossa época e é passível de desenvolvimento. Aquilo, entretanto, não podemos aceitar. Era útil e verdadeiro para o seu tempo - seria inútil para nós.' E esses jovens deveriam preparar-se para ouvir dos seus filhos as mesmas palavras.

Outras reflexões: http://direitousp.freevar.com/abertura.htm

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Os quatro pilares da educação

Capítulo 4 do livro Educação, um tesouro a descobrir: Jacques Delor. São Paulo, Unesco/MEC/Cortez, 1998
Clique aqui para baixar este livro

Dado que oferecerá meios, nunca antes disponíveis, para a circulação e armazenamento de informações e para a comunicação, o próximo século submeterá a educação a uma dura obrigação que pode parecer, à primeira vista, quase contraditória. A educação deve transmitir, de fato, de forma maciça e eficaz, cada vez mais saberes e saber-fazer evolutivos, adaptados à civilização cognitiva, pois são as bases das competências do futuro. Simultaneamente, compete-lhe encontrar e assinalar as referências que impeçam as pessoas de ficar submergidas nas ondas de informações, mais ou menos efêmeras, que invadem os espaços públicos e privados e as levem a orientar-se para projetos de desenvolvimento individuais e coletivos. À educação cabe fornecer, de algum modo, os mapas de um mundo complexo e constantemente agitado e, ao mesmo tempo, a bússola que permita navegar através dele.

Nesta visão prospectiva, uma resposta puramente quantitativa à necessidade insaciável de educação - uma bagagem escolar cada vez mais pesada - já não é possível nem mesmo adequada. Não basta, de fato, que cada um acumule no começo da vida uma determinada quantidade de conhecimentos de que possa abastecer-se indefinidamente. É, antes, necessário estar à altura de aproveitar e explorar, do começo ao fim da vida, todas as ocasiões de atualizar, aprofundar e enriquecer estes primeiros conhecimentos, e de se adaptar a um mundo em mudança.

Para poder dar resposta ao conjunto das suas missões, a educação deve organizar-se em torno de quatro aprendizagens fundamentais que, ao longo de toda a vida, serão de algum modo para cada indivíduo, os pilares do conhecimento: aprender a conhecer, isto é adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a viver juntos, a fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas; finalmente aprender a ser, via essencial que integra as três precedentes. É claro que estas quatro vias do saber constituem apenas uma, dado que existem entre elas múltiplos pontos de contato, de relacionamento e de permuta.

Mas, em regra geral, o ensino formal orienta-se, essencialmente, se não exclusivamente, para o aprender a conhecer e, em menor escala, para o aprender a fazer. As duas outras aprendizagens dependem, a maior parte das vezes, de circunstâncias aleatórias quando não são tidas, de algum modo, como prolongamento natural das duas primeiras. Ora, a Comissão pensa que cada um dos " quatro pilares do conhecimento" deve ser objeto de atenção igual por parte do ensino estruturado, a fim de que a educação apareça como uma experiência global a levar a cabo ao longo de toda a vida, no plano cognitivo como no prático, para o indivíduo enquanto pessoa e membro da sociedade.

Desde o início dos seus trabalhos que os membros da Comissão compreenderam que seria indispensável, para enfrentar os desafios do próximo século, assinalar novos objetivos à educação e, portanto, mudar a idéia que se tem da sua utilidade. Uma nova concepção ampliada de educação devia fazer com que todos pudessem descobrir, reanimar e fortalecer o seu potencial criativo - revelar o tesouro escondido em cada um de nós. Isto supõe que se ultrapasse a visão puramente instrumental da educação, considerada como a via obrigatória para obter certos resultados (saber-fazer, aquisição de capacidades diversas, fins de ordem econômica), e se passe a considerá-la em toda a sua plenitude: realização da pessoa que, na sua totalidade, aprende a ser.

Aprender a conhecer

Este tipo de aprendizagem que visa não tanto a aquisição de um repertório de saberes codificados, mas antes o domínio dos próprios instrumentos do conhecimento pode ser considerado, simultaneamente, como um meio e como uma finalidade da vida humana. Meio, porque se pretende que cada um aprenda a compreender o mundo que o rodeia, pelo menos na medida em que isso lhe é necessário para viver dignamente, para desenvolver as suas capacidades profissionais, para comunicar. Finalidade, porque seu fundamento é o prazer de compreender, de conhecer, de descobrir.

Apesar dos estudos sem utilidade imediata estarem desaparecendo, tal a importância dada atualmente aos saberes utilitários, a tendência para prolongar a escolaridade e o tempo livre deveria levar os adultos a apreciar, cada vez mais, as alegrias do conhecimento e da pesquisa individual. O aumento dos saberes, que permite compreender melhor o ambiente sob os seus diversos aspectos, favorece o despertar da curiosidade intelectual, estimula o sentido crítico e permite compreender o real, mediante a aquisição de autonomia na capacidade de discernir. Deste ponto de vista, há que repeti-lo, é essencial que cada criança, esteja onde estiver, possa ter acesso, de forma adequada, às metodologias científicas de modo a tornar-se para toda a vida " amiga da ciência". Em nível do ensino secundário e superior, a formação inicial deve fornecer a todos os alunos instrumentos, conceitos e referências resultantes dos avanços das ciências e dos paradigmas do nosso tempo.

Contudo, como o conhecimento é múltiplo e evolui infinitamente, torna-se cada vez mais inútil tentar conhecer tudo e, depois do ensino básico, a omnidisciplinaridade é um engodo. A especialização, porém, mesmo para futuros pesquisadores, não deve excluir a cultura geral. " Um espírito verdadeiramente formado, hoje em dia, tem necessidade de uma cultura geral vasta e da possibilidade de trabalhar em profundidade determinado número de assuntos. Deve-se, do princípio ao fim do ensino, cultivar, simultaneamente, estas duas tendências".

A cultura geral, enquanto abertura a outras linguagens e outros conhecimentos permite, antes de tudo, comunicar-se. Fechado na sua própria ciência, o especialista corre o risco de se desinteressar pelo que fazem os outros. Sentirá dificuldade em cooperar, quaisquer que sejam as circunstâncias. Por outro lado, a formação cultural, cimento das sociedades no tempo e no espaço, implica a abertura a outros campos do conhecimento e, deste modo, podem operar-se fecundas sinergias entre as disciplinas. Especialmente em matéria de pesquisa, determinados avanços do conhecimento dão-se nos pontos de interseção das diversas áreas disciplinares.

Aprender para conhecer supõe, antes tudo, aprender a aprender, exercitando a atenção, a memória e o pensamento. Desde a infância, sobretudo nas sociedades dominadas pela imagem televisiva, o jovem deve aprender a prestar atenção às coisas e às pessoas. A sucessão muito rápida de informações mediatizadas, o " zapping" tão freqüente, prejudicam de fato o processo de descoberta, que implica duração e aprofundamento da apreensão. Esta aprendizagem da atenção pode revestir formas diversas e tirar partido de várias ocasiões da vida (jogos, estágios em empresas, viagens, trabalhos práticos de ciências...).

Por outro lado, o exercício da memória é um antídoto necessário contra a submersão pelas informações instantâneas difundidas pelos meios de comunicação social. Seria perigoso imaginar que a memória pode vir a tornar-se inútil, devido à enorme capacidade de armazenamento e difusão das informações de que dispomos daqui em diante. É preciso ser, sem dúvida, seletivo na escolha dos dados a aprender " de cor" mas, propriamente, a faculdade humana de memorização associativa, que não é redutível a um automatismo, deve ser cultivada cuidadosamente. Todos os especialistas concordam em que a memória deve ser treinada desde a infância, e que é errado suprimir da prática escolar certos exercícios tradicionais, considerados como fastidiosos.

Finalmente, o exercício do pensamento ao qual a criança é iniciada, em primeiro lugar, pelos pais e depois pelos professores, deve comportar avanços e recuos entre o concreto e o abstrato. Também se devem combinar, tanto no ensino como na pesquisa, dois métodos apresentados, muitas vezes, como antagônicos: o método dedutivo por um lado e o indutivo por outro. De acordo com as disciplinas ensinadas, um pode ser mais pertinente do que outro, mas na maior parte das vezes o encadeamento do pensamento necessita da combinação dos dois.

O processo de aprendizagem do conhecimento nunca está acabado, e pode enriquecer-se com qualquer experiência. Neste sentido, liga-se cada vez mais à experiência do trabalho, à medida que este se torna menos rotineiro. A educação primária pode ser considerada bem-sucedida se conseguir transmitir às pessoas o impulso e as bases que façam com que continuem a aprender ao longo de toda a vida, no trabalho, mas também fora dele.

Aprender a fazer

Aprender a conhecer e aprender a fazer são, em larga medida, indissociáveis. Mas a segunda aprendizagem está mais estreitamente ligada à questão da formação profissional: como ensinar o aluno a pôr em prática os seus conhecimentos e, também, como adaptar a educação ao trabalho futuro quando não se pode prever qual será a sua evolução? É a esta última questão que a Comissão tentará dar resposta mais particularmente.

Convém distinguir, a este propósito, o caso das economias industriais onde domina o trabalho assalariado do das outras economias onde domina, ainda em grande escala, o trabalho independente ou informal. De fato, nas sociedades assalariadas que se desenvolveram ao longo do século XX, a partir do modelo industrial, a substituição do trabalho humano pelas máquinas tornou-o cada vez mais imaterial e acentuou o caráter cognitivo das tarefas, mesmo na indústria, assim como a importância dos serviços na atividade econômica.

O futuro destas economias depende, aliás, da sua capacidade de transformar o progresso dos conhecimentos em inovações geradoras de novas empresas e de novos empregos. Aprender a fazer não pode, pois, continuar a ter o significado simples de preparar alguém para uma tarefa material bem determinada, para fazê-lo participar no fabrico de alguma coisa. Como conseqüência, as aprendizagens devem evoluir e não podem mais ser consideradas como simples transmissão de práticas mais ou menos rotineiras, embora estas continuem a ter um valor formativo que não é de desprezar.

Da noção de qualificação à noção de competência

Na indústria especialmente para os operadores e os técnicos, o domínio do cognitivo e do informativo nos sistemas de produção, torna um pouco obsoleta a noção de qualificação profissional e leva a que se dê muita importância à competência pessoal. O progresso técnico modifica, inevitavelmente, as qualificações exigidas pelos novos processos de produção. As tarefas puramente físicas são substituídas por tarefas de produção mais intelectuais, mais mentais, como o comando de máquinas, a sua manutenção e vigilância, ou por tarefas de concepção, de estudo, de organização à medida que as máquinas se tornam, também, mais " inteligentes" e que o trabalho se " desmaterializa".

Este aumento de exigências em matéria de qualificação, em todos os níveis, tem várias origens. No que diz respeito ao pessoal de execução a justa posição de trabalhos prescritos e parcelados deu lugar à organização em " coletivos de trabalho" ou " grupos de projeto", a exemplo do que se faz nas empresas japonesas: uma espécie de taylorismo ao contrário. Por outro lado, à indiferenciação entre trabalhadores sucede a personalização das tarefas. Os empregadores substituem, cada vez mais, a exigência de uma qualificação ainda muito ligada, a seu ver, à idéia de competência material, pela exigência de uma competência que se apresenta como uma espécie de coquetel individual, combinando a qualificação, em sentido estrito, adquirida pela formação técnica e profissional, o comportamento social, a aptidão para o trabalho em equipe, a capacidade de iniciativa, o gosto pelo risco.

Se juntarmos a estas novas exigências a busca de um compromisso pessoal do trabalhador, considerado como agente de mudança, torna-se evidente que as qualidades muito subjetivas, inatas ou adquiridas, muitas vezes denominadas " saber-ser" pelos dirigentes empresariais, se juntam ao saber e ao saber-fazer para compor a competência exigida - o que mostra bem a ligação que a educação deve manter, como aliás sublinhou a Comissão, entre os diversos aspectos da aprendizagem. Qualidades como a capacidade de comunicar, de trabalhar com os outros, de gerir e de resolver conflitos, tornam-se cada vez mais importantes. E esta tendência torna-se ainda mais forte, devido ao desenvolvimento do setor de serviços.

A "desmaterialização" do trabalho e a importância dos serviços entre as atividades assalariadas.

As conseqüências sobre a aprendizagem da " desmaterialização" das economias avançadas são particularmente impressionantes se se observar a evolução quantitativa e qualitativa dos serviços. Este setor, muito diversificado, define-se sobretudo pela negativa, não são nem industriais nem agrícolas e que, apesar da sua diversidade, têm em comum o fato de não produzirem um bem material.

Muitos serviços definem-se, sobretudo, em função da relação interpessoal a que dão origem. Podem encontrar-se exemplos disso tanto no setor mercantil que prolifera, alimentando-se da complexidade crescente das economias (especialidades muito variadas, serviços de acompanhamento e de aconselhamento tecnológico, serviços financeiros, contabilísticos ou de gestão), como no setor não comercial mais tradicional (serviços sociais, ensino, saúde etc.).

Em ambos os casos, as atividades de informação e comunicação são primordiais; dá-se prioridade à coleta e tratamento personalizado de informações específicas para determinado projeto. Neste tipo de serviços, a qualidade da relação entre prestador e usuário depende, também muito, deste último. Compreende-se, pois, que o trabalho em questão já não possa ser feito da mesma maneira que quando se trata de trabalhar a terra ou de fabricar um tecido. A relação com a matéria e a técnica deve ser completada com a aptidão para as relações interpessoais. O desenvolvimento dos serviços exige, pois, cultivar qualidades humanas que as formações tradicionais não transmitem, necessariamente e que correspondem à capacidade de estabelecer relações estáveis e eficazes entre as pessoas.

Finalmente, é provável que nas organizações ultratecnicistas do futuro os déficits relacionais possam criar graves disfunções exigindo qualificações de novo tipo, com base mais comportamental do que intelectual. O que pode ser uma oportunidade para os não diplomados, ou com deficiente preparação em nível superior. A intuição, o jeito, a capacidade de julgar, a capacidade de manter unida uma equipe não são de fato qualidades, necessariamente, reservadas a pessoas com altos estudos. Como e onde ensinar estas qualidades mais ou menos inatas? Não se podem deduzir simplesmente os conteúdos de formação, das capacidades ou aptidões requeridas. O mesmo problema põe-se, também, quanto à formação profissional, nos países em desenvolvimento.

O trabalho na economia informal

Nas economias em desenvolvimento, onde a atividade assalariada não é dominante, a natureza do trabalho é muito diferente. Em muitos países da África subsaariana e em alguns países da América Latina e da Ásia, efetivamente, só uma pequena parte da população tem emprego e recebe salário, pois a grande maioria participa na economia tradicional de subsistência. Não existe, rigorosamente falando, referencial de emprego; as competências são, muitas vezes, de tipo tradicional. Por outro lado, a aprendizagem não se destina, apenas, a um só trabalho mas tem como objetivo mais amplo preparar para uma participação formal ou informal no desenvolvimento. Trata-se, freqüentemente, mais de uma qualificação social do que de uma qualificação profissional.

Noutros países em desenvolvimento existe, ao lado da agricultura e de um reduzido setor formal, um setor de economia ao mesmo tempo moderno e informal, por vezes bastante dinâmico, à base de artesanato, de comércio e de finanças que revela a existência de uma capacidade empreendedora bem adaptada às condições locais.

Em ambos os casos, após numerosas pesquisas levadas a cabo em países em desenvolvimento, apercebemo-nos que encaram o futuro como estando estreitamente ligado à aquisição da cultura científica que lhes dará acesso à tecnologia moderna, sem negligenciar com isso as capacidades específicas de inovação e criação ligadas ao contexto local.

Existe uma questão comum aos países desenvolvidos e em desenvolvimento: como aprender a comportar-se, eficazmente, numa situação de incerteza, como participar na criação do futuro?

Aprender a viver juntos, aprender a viver com os outros

Sem dúvida, esta aprendizagem representa, hoje em dia, um dos maiores desafios da educação. O mundo atual é, muitas vezes, um mundo de violência que se opõe à esperança posta por alguns no progresso da humanidade. A história humana sempre foi conflituosa, mas há elementos novos que acentuam o perigo e, especialmente, o extraordinário potencial de autodestruição criado pela humanidade no decorrer do século XX. A opinião pública, através dos meios de comunicação social, torna-se observadora impotente e até refém dos que criam ou mantêm os conflitos. Até agora, a educação não pôde fazer grande coisa para modificar esta situação real. Poderemos conceber uma educação capaz de evitar os conflitos, ou de os resolver de maneira pacífica, desenvolvendo o conhecimento dos outros, das suas culturas, da sua espiritualidade?

E de louvar a idéia de ensinar a não-violência na escola, mesmo que apenas constitua um instrumento, entre outros, para lutar contra os preconceitos geradores de conflitos. A tarefa é árdua porque, muito naturalmente, os seres humanos têm tendência a supervalorizar as suas qualidades e as do grupo a que pertencem, e a alimentar preconceitos desfavoráveis em relação aos outros. Por outro lado, o clima geral de concorrência que caracteriza, atualmente, a atividade econômica no interior de cada país, e sobretudo em nível internacional, tem tendência de dar prioridade ao espírito de competição e ao sucesso individual. De fato, esta competição resulta, atualmente, numa guerra econômica implacável e numa tensão entre os mais favorecidos e os pobres, que divide as nações do mundo e exacerba as rivalidades históricas. É de lamentar que a educação contribua, por vezes, para alimentar este clima, devido a uma má interpretação da idéia de emulação.

Que fazer para melhorar a situação? A experiência prova que, para reduzir o risco, não basta pôr em contato e em comunicação membros de grupos diferentes (através de escolas comuns a várias etnias ou religiões, por exemplo). Se, no seu espaço comum, estes diferentes grupos já entram em competição ou se o seu estatuto é desigual, um contato deste gênero pode, pelo contrário, agravar ainda mais as tensões latentes e degenerar em conflitos. Pelo contrário, se este contato se fizer num contexto igualitário, e se existirem objetivos e projetos comuns, os preconceitos e a hostilidade latente podem desaparecer e dar lugar a uma cooperação mais serena e até à amizade.

Parece, pois, que a educação deve utilizar duas vias complementares. Num primeiro nível, a descoberta progressiva do outro. Num segundo nível, e ao longo de toda a vida, a participação em projetos comuns, que parece ser um método eficaz para evitar ou resolver conflitos latentes.

A descoberta do outro

A educação tem por missão, por um lado, transmitir conhecimentos sobre a diversidade da espécie humana e, por outro, levar as pessoas a tomar consciência das semelhanças e da interdependência entre todos os seres humanos do planeta. Desde tenra idade a escola deve, pois, aproveitar todas as ocasiões para esta dupla aprendizagem. Algumas disciplinas estão mais adaptadas a este fim, em particular a geografia humana a partir do ensino básico e as línguas e literaturas estrangeiras mais tarde.

Passando à descoberta do outro, necessariamente, pela descoberta de si mesmo, e por dar à criança e ao adolescente uma visão ajustada do mundo, a educação, seja ela dada pela família, pela comunidade ou pela escola, deve antes de mais ajudá-los a descobrir-se a si mesmos. Só então poderão, verdadeiramente, pôr-se no lugar dos outros e compreender as suas reações. Desenvolver esta atitude de empatia, na escola, é muito útil para os comportamentos sociais ao longo de toda a vida. Ensinando, por exemplo, aos jovens a adotar a perspectiva de outros grupos étnicos ou religiosos podem-se evitar incompreensões geradoras de ódio e violência entre os adultos. Assim, o ensino da história das religiões ou dos costumes pode servir de referência útil para futuros comportamentos.

Por fim, os métodos de ensino não devem ir contra este reconhecimento do outro. Os professores que, por dogmatismo, matam a curiosidade ou o espírito crítico dos seus alunos, em vez de os desenvolver, podem ser mais prejudiciais do que úteis. Esquecendo que funcionam como modelos, com esta sua atitude arriscam-se a enfraquecer por toda a vida nos alunos a capacidade de abertura à alteridade e de enfrentar as inevitáveis tensões entre pessoas, grupos e nações. O confronto através do diálogo e da troca de argumentos é um dos instrumentos indispensáveis à educação do século XXI.

Tender para objetivos comuns

Quando se trabalha em conjunto sobre projetos motivadores e fora do habitual, as diferenças e até os conflitos interindividuais tendem a reduzir-se, chegando a desaparecer em alguns casos. Uma nova forma de identificação nasce destes projetos que fazem com que se ultrapassem as rotinas individuais, que valorizam aquilo que é comum e não as diferenças. Graças à prática do desporto, por exemplo, quantas tensões entre classes sociais ou nacionalidades se transformaram, afinal, em solidariedade através da experiência e do prazer do esforço comum! E no setor laboral quantas realizações teriam chegado a bom termo se os conflitos habituais em organizações hierarquizadas tivessem sido transcendidos por um projeto comum!

A educação formal deve, pois, reservar tempo e ocasiões suficientes em seus programas para iniciar os jovens em projetos de cooperação, logo desde a infância, no campo das atividades desportivas e culturais, evidentemente, mas também estimulando a sua participação em atividades sociais: renovação de bairros, ajuda aos mais desfavorecidos, ações humanitárias, serviços de solidariedade entre gerações... As outras organizações educativas e associações devem, neste campo, continuar o trabalho iniciado pela escola. Por outro lado, na prática letiva diária, a participação de professores e alunos em projetos comuns pode dar origem à aprendizagem de métodos de resolução de conflitos e constituir uma referência para a vida futura dos alunos, enriquecendo a relação professor/aluno.

Aprender a ser

Desde a sua primeira reunião, a Comissão reafirmou, energicamente, um princípio fundamental: a educação deve contribuir para o desenvolvimento total da pessoa - espírito e corpo, inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal, espiritualidade. Todo o ser humano deve ser preparado, especialmente graças à educação que recebe na juventude, para elaborar pensamentos autônomos e críticos e para formular os seus próprios juízos de valor, de modo a poder decidir, por si mesmo, como agir nas diferentes circunstâncias da vida.

O relatório Aprender a ser (1972) exprimia, no preâmbulo, o temor da desumanização do mundo relacionada com a evolução técnica4. A evolução das sociedades desde então e, sobretudo, o enorme desenvolvimento do poder mediático veio acentuar este temor e tornar mais legítima ainda a injunção que lhe serve de fundamento. É possível que no século XXI estes fenômenos adquiram ainda mais amplitude. Mais do que preparar as crianças para uma dada sociedade, o problema será, então, fornecer-lhes constante-mente forças e referências intelectuais que lhes permitam compreender o mundo que as rodeia e comportar-se nele como atores responsáveis e justos. Mais do que nunca a educação parece ter, como papel essencial, conferir a todos os seres humanos a liberdade de pensamento, discernimento, sentimentos e imaginação de que necessitam para desenvolver os seus talentos e permanecerem, tanto quanto possível, donos do seu próprio destino.

Este imperativo não é apenas de natureza individualista: a experiência recente mostra que o que poderia aparecer, somente, como uma forma de defesa do indivíduo perante um sistema alienante ou tido como hostil, é também, por vezes, a melhor oportunidade de progresso para as sociedades. A diversidade das personalidades, a autonomia e o espírito de iniciativa, até mesmo o gosto pela provocação, são os suportes da criatividade e da inovação. Para reduzir a violência ou lutar contra os diferentes flagelos que afetam a sociedade os métodos inéditos retirados de experiências no terreno já deram prova da sua eficácia.

Num mundo em mudança, de que um dos principais motores parece ser a inovação tanto social como econômica, deve ser dada importância especial à imaginação e à criatividade; claras manifestações da liberdade humana elas podem vir a ser ameaçadas por uma certa estandardização dos comportamentos individuais. O século XXI necessita desta diversidade de talentos e de personalidades, mais ainda de pessoas excepcionais, igualmente essenciais em qualquer civilização.

Convém, pois, oferecer às crianças e aos jovens todas as ocasiões possíveis de descoberta e de experimentação estética, artística, desportiva, científica, cultural e social - , que venham completar a apresentação atraente daquilo que, nestes domínios, foram capazes de criar as gerações que os precederam ou suas contemporâneas. Na escola, a arte e a poesia deveriam ocupar um lugar mais importante do que aquele que lhes é concedido, em muitos países, por um ensino tornado mais utilitarista do que cultural. A preocupação em desenvolver a imaginação e a criatividade deveria, também, revalorizar a cultura oral e os conhecimentos retirados da experiência da criança ou do adulto.

Assim a Comissão adere plenamente ao postulado do relatório Aprender a ser: " O desenvolvimento tem por objeto a realização completa do homem, em toda a sua riqueza e na complexidade das suas expressões e dos seus compromissos: indivíduo, membro de uma família e de uma coletividade, cidadão e produtor, inventor de técnicas e criador de sonhos".

Este desenvolvimento do ser humano, que se desenrola desde o nascimento até à morte, é um processo dialético que começa pelo conhecimento de si mesmo para se abrir, em seguida, à relação com o outro. Neste sentido, a educação é antes de mais nada uma viagem interior, cujas etapas correspondem às da maturação contínua da personalidade. Na hipótese de uma experiência profissional de sucesso, a educação como meio para uma tal realização é, ao mesmo tempo, um processo individualizado e uma construção social interativa.

E escusado dizer que os quatro pilares da educação, acabados de descrever, não se apóiam, exclusivamente, numa fase da vida ou num único lugar. Como se verá no capítulo seguinte, os tempos e as áreas da educação devem ser repensados, completar-se e interpenetrar-se de maneira a que cada pessoa, ao longo de toda a sua vida, possa tirar o melhor partido de um ambiente educativo em constante ampliação.

Pistas e recomendações

• A educação ao longo de toda a vida baseia-se em quatro pilares: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos, aprender a ser.

• Aprender a conhecer, combinando uma cultura geral, suficientemente vasta, com a possibilidade de trabalhar em profundidade um pequeno número de matérias. O que também significa: aprender a aprender, para beneficiar-se das oportunidades oferecidas pela educação ao longo de toda a vida.

• Aprender a fazer, a fim de adquirir, não somente uma qualificação profissional mas, de uma maneira mais ampla, com-petências que tornem a pessoa apta a enfrentar numerosas situações e a trabalhar em equipe. Mas também aprender a fazer, no âmbito das diversas experiências sociais ou de trabalho que se oferecem aos jovens e adolescentes, quer espontaneamente, fruto do contexto local ou nacional, quer formalmente, graças ao desenvolvimento do ensino alternado com o trabalho.

• Aprender a viver juntos desenvolvendo a compreensão do outro e a percepção das interdependências - realizar projetos comuns e preparar-se para gerir conflitos - no respeito pelos valores do pluralismo, da compreensão mútua e da paz.

• Aprender a ser, para melhor desenvolver a sua personalidade e estar à altura de agir com cada vez maior capacidade de autonomia, de discernimento e de responsabilidade pessoal. Para isso, não negligenciar na educação nenhuma das potencialidades de cada indivíduo: memória, raciocínio, sentido estético, capacidades físicas, aptidão para comunicar-se.

• Numa altura em que os sistemas educativos formais tendem a privilegiar o acesso ao conhecimento, em detrimento de outras formas de aprendizagem, importa conceber a educação como um todo. Esta perspectiva deve, no futuro, inspirar e orientar as reformas educativas, tanto em nível da elaboração de programas como da definição de novas políticas pedagógicas.

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Considerações críticas da Lei 5.540/68


INTRODUÇÃO

O populismo no Brasil foi uma força ambígua. Ideologicamente, por exemplo, diante do aumento das contradições sociais, se identificou com as forças sociais de esquerda. Seu inconformismo com a “ordem” injusta do capitalismo, de marca americana, avolumou-se e tomou dimensões nacionais. O capital monopolista norte-americano era questionado em sua forma de exploração neocolonial. Os gritos de “americanos, go home” e “fora MEC-USAID” causavam fortes preocupações aos detentores do capital.

Para os militares, os responsáveis pelo insuficiente desempenho econômico e por toda insubordinação social eram os governos populistas, incoerentes, “comunistóides” e corruptos. O capital, assustado pela fraqueza desses governos na repressão aos movimentos “subversivos”, apela para a velha forma fascista que, fardada de militar, com o golpe de 1964, põe fim à “desordem” social e, com ela, à claudicante democracia populista.

Com esse golpe também se põe fim aos ricos movimentos de educação popular dos anos 60. Extingue-se o debate educacional através de cassações, exílios, perseguições, torturas e destruição da literatura marxista. É uma história conhecida. Conseqüentemente, o debate educacional, desse período, refluiu às catacumbas, à hibernação, e o Estado desencadeou um outro debate, inscrito no Governo.

Tal foi a violência do golpe desferido contra a organização e a livre expressão dos estudantes e dos educadores que foi preciso compensá-lo com importantes iniciativas e reformas educacionais revestidas da preocupação com a autonomia nacional e com alguma democracia institucional.

O debate era influenciado pela ideologia da neutralidade científica, pelo eficientismo da tecnologia educacional e pela teoria do capital humano. O MEC, por exemplo, acreditou ser possível uma lei justa, avançada, democraticamente discutida, apenas porque homens esclarecidos, “apartidários”, eram convidados a integrar comissões de alto nível e porque o Congresso formalmente funcionava, quando, na verdade, a sociedade inteira era proibida de se organizar e debater livremente.

Em outras palavras, a educação foi diretamente atingida e assimilada pelo regime político dominante que sempre oscilava entre o totalitarismo pleno ou disfarçado e uma democracia impregnada de autoritarismo. A prova dessa inconstância aparece na legislação que orienta o ensino público, bastando observar o cronograma histórico das LDB’s (Lei 4024/61;Lei 5540/68 Lei 5692/71 e Lei 9394/96) para se verificar o reflexo do momento social, político e econômico na estrutura educacional.

Enfim, todas as legislações sobre Educação Superior no Brasil foram, de alguma forma, inovadoras e ocasionaram mudanças na estrutura de ensino, ou seja, modificaram o ambiente acadêmico, alteraram hábitos arraigados e atacaram o conservadorismo da academia. Contudo, todas elas procuraram modernizar o Ensino Superior para adaptá-lo às mudanças sociais, políticas e econômicas estabelecidas e vigentes naquele momento histórico.

2. CONTEXTO HISTÓRICO

Mesmo após a revolução de 30, com exceção feita à Universidade do Distrito Federal, logo vítima da repressão da ditadura do Estado Novo, e da criação inovadora, em 1934, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, não existiam, no Brasil, condições para a concretização de uma autêntica vida universitária.

No inicio da década de 60, erguiam-se vozes em torno do problema da escola superior brasileira. Em maio de 1960, a União Nacional dos Estudantes (UNE) promove o Primeiro Seminário Nacional da Reforma Universitária. Dele resulta um documento que afirma ser a universidade incapaz de elaborar uma cultura nacional e reivindica uma reforma universitária que possibilite à universidade a participação na construção de um modelo econômico definido por interesses nacionais.

O ideal de reconstruir a universidade passou a associar-se definitivamente à solução dos problemas econômicos, sociais e políticos do País. A democratização interna é vista como necessária para a construção de uma universidade nova, criadora, crítica e socialmente atuante. Reivindica-se a autonomia de pensamento na universidade e o desenvolvimento econômico independente do País — uma universidade livre numa sociedade livre.

A criação da Universidade de Brasília, em 1961, pode ser vista como tentativa de concretização dessa reforma. Os intelectuais Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro, entre outros, baseados na integração do ensino com a pesquisa, propunham a organização de faculdades e institutos centrais e a criação de cursos introdutórios (que dariam a formação básica para cada área de conhecimento), cursos de bacharelado, mestrado e doutorado.

A fase de implantação dos institutos estava em seu momento decisivo quando, em 9 de abril de 1964, a UnB (Universidade de Brasília) é invadida a mando do marechal Castelo Branco. Fechada a universidade, destituídos os diretores, presos professores e alunos, queimados os livros “subversivos” da biblioteca, estava destruído um símbolo de luta pela superação do atraso cultural e do subdesenvolvimento brasileiro. Foi preciso contentar-se com o caráter da reforma universitária empreendida pelo Regime Militar.

O presidente Castello Branco, ao tomar a reforma nas mãos, realmente romperia com o padrão da escola superior do passado, mas na direção dos interesses que podem ser resumidos na frase: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. Neste sentido, a política de repressão a estudantes e intelectuais, após o golpe militar, deve ser encarada como parte da necessária desmobilização das resistências à desnacionalização do ensino.

O Regime Militar precisava dispor de uma estrutura legal que preparasse o terreno para adaptar o sistema universitário ao novo modelo econômico que se pretendia implantar. Seria preciso preparar quadros técnicos para as multinacionais que aqui se instalariam, bem como preparar pessoal capaz de mover a infra-estrutura de comunicação, transporte, energia, etc.; necessária para o funcionamento daquelas empresas.

A política universitária pós-64 vai consolidar-se em duas etapas: a primeira, até 1968, onde as medidas tomadas têm um caráter de contenção, tanto da mobilização estudantil como da expansão do sistema. Embora o novo modelo econômico necessitasse de um maior número de profissionais de nível superior, constata-se que o número de vestibulandos entre 1964 e 1968 cresce 120% em relação ao período 60-64, mas o número de vagas entre 64-68 decresce 11% em relação a 60-64. (RETRATO DO BRASIL, Vol II, p. 438-440).

Isto gera uma crescente onda de protesto de docentes e discentes, aumentando a força de mobilização e organização do movimento estudantil, a despeito de o governo já se ter prevenido com medidas repressivas. Por exemplo, a “Lei Suplicy” que extinguiu a autonomia e representatividade das entidades estudantis, transformando-as em apêndice do Ministério da Educação; extinguiu a UNE, as UEEs e os CAs (Uniões Estaduais de Estudantes e Centros Acadêmicos); criou o Diretório Nacional dos Estudantes, que só poderia reunir-se convocado pelo Ministério ou pelo Conselho Federal de Educação e ainda assim no período de férias. Em 1967, pelo Decreto-Lei no 252, ficou determinado que a representação discente se limitasse ao âmbito de cada universidade e sem manifestar-se politicamente.

Na segunda etapa ou seja, pós-68, as medidas repressivas concretizam-se no AI-5 (Ato Institucional no 5) e, no âmbito universitário, no Decreto-Lei no 477/69, que proibia qualquer manifestação de professores, alunos ou funcionários, sob pena de processo, prisão e perda dos direitos. Ë nesta segunda etapa que a reforma universitária se configura em lei. (RETRATO DO BRASIL, Vol II, p. 438-440).

A reforma universitária do Regime Militar tem origem nos chamados Acordos MEC-USAID (Ministério da Educação e Cultura do Brasil - Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento internacional), ponto-chave da política de desnacionalização do ensino brasileiro. Através desses acordos técnicos, americanos e brasileiros (sob a coordenação do teórico da filosofia educacional americana para a América Latina, Rudolph Atcon) procurariam propor a modernização do ensino superior no Brasil.

Neste contexto é gestada a lei 5.540/68 que buscou fazer a reforma universitária de interesse da elite dominante e que se adequava à realidade do momento e às concepções dos militares.

3. CONSIDERAÇÕES CRÍTICAS

No final de 1967, o governo brasileiro criou uma comissão chefiada pelo coronel do Exército Meira Mattos, para fazer um levantamento da crise e intervir nas universidades. O que essa comissão propôs se encaixava perfeitamente no espírito dos acordos MEC-USAID. O mesmo aconteceu com as propostas do Grupo de Trabalho da Reforma Universitária, materializadas na Lei no 5.540, aprovada em 28 de novembro de 1968.

A modernização da universidade ocorre, assim, menos por pressão estudantil e mais pela descoberta dos militares de que a inovação poderia ser manipulada sem ameaças à estrutura de poder vigente.

Neste período a educação passa a ser encarada oficialmente como um fenômeno isolado do resto do contexto social e político, identificando-se a reforma universitária com remodelações ténico-administrativas. Bastaria uma “boa direção” para se ter um “bom rendimento”. Racionalização, eficiência e produtividade tornam-se valores absolutos, sobrepondo-se, pretensamente, a qualquer opção política.

Em termos organizacionais a lei 5.540/68 propunha que o ensino superior fosse ministrado preferencialmente em universidades, nas quais a menor estrutura seria o departamento, congregando disciplinas afins. Propõe também a não duplicação de serviços, visando maior economia e melhor produtividade.

Além do reitor, as universidades deveriam ser administradas por conselhos compostos de membros das comunidades acadêmicas, representantes do Ministério da Educação e representantes das comunidades locais, que na prática funcionariam como emissários do poder.

As unidades universitárias deveriam promover cursos de graduação, pós-graduação, aperfeiçoamento e especialização, bem como a pesquisa. Extingue-se a cátedra, criando-se a carreira docente. Isto, entretanto, gera a corrida pela titulação, que se traduz numa produção acadêmica desvinculada das necessidades sociais — ascender na carreira acaba sendo uma das poucas alternativas para obter melhorias salariais.

Unifica-se o vestibular, dando origem à “geração cruzinha”, aquelas legiões de candidatos mais preocupados em aprender as “mancadas” dos exames do que em se preparar para serem profissionais competentes. Criam-se os currículos mínimos, com prioridade do cumprimento de determinado número de horas-aula e não do conteúdo a ser transmitido aos alunos, introduz-se a matricula por disciplina, desfazendo-se e desarticulando-se, assim, os grupos de estudantes que, antigamente, caminhavam juntos na vida acadêmica. Elimina-se, desta forma, uma das vigas mestras da organização estudantil.

De acordo com Pereira (1986, p. 117-118) a reforma universitária, implantada em 1968 foi de cima para baixo e ocasionou

(...) algumas mudanças na estrutura das instituições, sendo que os resultados, na prática, ao longo dos seus quinze anos de implantação, provocaram sérias distorções, das quais a mais acentuada tem sido a queda da qualidade do ensino. Apesar de algumas mudanças na sua estrutura, a universidade pós-moderna é ainda a tradicional. Ela apenas se apropriou de certos meios técnicos e burocráticos mas a sua função é ainda impregnada do mesmo espírito da educação superior do passado. Porém, com a nítida diferença que a universidade, após vinte anos de regime autoritário, é desprovida do espírito critico, é esvaziada do saber transformador, é privada da liberdade acadêmica, e Todos esses aspectos considerados essenciais e imprescindíveis para o fortalecimento do potencial da instituição foram renegados pelo regime de força autoritária.

Sem dúvida, sob alguns aspectos, como o da diversificação dos cursos, a situação melhorou:

(...) em 1960 havia 1.115 faculdades no Pais; em 1980 cerca de 4.394 estabelecimentos de ensino superior. Mas um exame mais cuidadoso demonstra como se chegou a isso: em parte através da implantação da “indústria do saber”, com o surgimento de cursos de fim de semana e do inchaço da rede particular que surgiu para atuar principalmente na área de Ciências Humanas. (RETRATO DO BRASIL, Vol II, p. 438-440).

Em outras palavras, teve início uma “indústria” universitária, agraciada com um grande lucro, pois necessita de uma infra-estrutura que se restringe quase sempre a salas de aula superlotadas de sonolentos alunos; lousa; giz e um professor hora-aula dedicado, mas mal remunerado — sem as mínimas condições de exercer com dignidade seu trabalho.

Para se ter uma idéia da evolução do ensino privado, basta dizer que em 1963 o Brasil contava com 28.944 docentes e em 1980 eram 116.827, dos quais mais de dois terços trabalhavam em estabelecimentos particulares. Do ponto de vista mais geral, o ensino particular. cresceu cinco vezes mais que o ensino público de 1963 para 1980. (RETRATO DO BRASIL, Vol II, p. 438-440).

Além disso, durante o Regime Militar, a imagem do professor, competente na definição dos objetivos, absolutamente mensuráveis, descolara-se da imagem do educador, comprometido ética e politicamente. O conceito de especialista em educação inspirou as reformas dos estudos pedagógicos dos anos 60 e 70. As Leis 5540/68 e 5692/71, bem como os cursos de formação de professores, pagaram um forte tributo a esse reducionismo teórico, pois o especialista é um profissional do particular, enquanto o educador é um profissional da totalidade, da dialética, da “cumplicidade”, dos valores de vida, é o “mistagogo”, que inicia os jovens ao mistério das coisas e dos homens.

Resumidamente, os militares, por meio da lei 5540/68, promoveram uma reforma no ensino superior brasileiro, extinguiram a cátedra - suprimindo o que se considerava ser o bastião do pensamento e do comportamento conservador na universidade - , introduziram o regime de tempo integral e dedicação exclusiva aos professores, criaram a estrutura departamental, dividiram o curso de graduação em duas partes, ciclo básico e ciclo profissional, criaram o sistema de créditos por disciplinas instituíram a periodicidade semestral e o vestibular eliminatório. Implementaram também a indissociabiidade entre ensino, pesquisa e extensão. No regime anterior, essa idéia não estava claramente presente, mas havia referência à pesquisa e ao ensino como tarefas do professor catedrático, para o que era agraciado com contrato de dedicação integral.

No caudal dos atos de exceção da ditadura militar, a universidade brasileira foi obrigada a testemunhar a repressão, a perseguição policial, a expulsão, o exílio, as aposentadorias compulsórias, a tortura, a morte de muitos de seus melhores pensadores. Entretanto, se por um lado a reforma de 1968 significou uma violência à inteligência, por outro trouxe elementos de “renovação”, sobretudo no que diz respeito à pós-graduação, fortalecida em algumas áreas, instituída em outras.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A lei 5540/68 afetou e modificou toda a estrutura universitária brasileira e, ao mesmo tempo que buscou acabar com o conservadorismo e o didatismo enciclopédico que a caracterizava, restringiu a sua liberdade de pensamento e administração.

Além disso, o Estado passou a perseguir e a exilar os pensadores mais influentes e atuantes que compunham a comunidade universitária. Preservando apenas aqueles que se moldavam e defendiam, ou não se manifestavam, contra o regime em vigor.

Essa lei firmou como preponderante, no âmbito universitário, o inconformismo verbal, dissimulado e dito nas entrelinhas, aliado ao conformismo prático. Para o regime a universidade não era local de discussão e manifestação política e sim local de pesquisa e estudo. Com isso amputou-se uma área importante da formação do aluno e uma geração inteira aprendeu apenas a aceitar o pensamento vigente, a nunca contestar a autoridade dominante.

Enfim, a reforma instituída pela lei 5540/68 foi importante para a evolução educacional, principalmente no âmbito da pesquisa científica (pós-graduação), porém o preço pago por essas inovações foi muito alto, uma vez que custou a liberdade de pensamento e manifestação política de uma geração inteira. Contudo, o silêncio imposto obrigou o desenvolvimento de uma linguagem de contestação camuflada, refletindo-se na cultura (teatro, música, literatura, etc) e direcionando a criatividade intelectual por caminhos inusitados.

5. REFERÊNCIAS

PEREIRA, Maria Arlethe. Os vinte anos de regime autoritário e sua influência na universidade brasileira. 1986.

RETRATO DO BRASIL - da Monarquia ao Estado Novo. Universidade sufocada. São Paulo: ed. Política, 1984, V. II, p.438-440.

6. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

CALDEIRA, Jorge. História do Brasil. Rio de Janeiro: Companhia das Letras. 1999.

CARVALHO, Jane M. Cardoso (Coord.). Coletânea da Legislação de Ensino de 1969 a 1975. Curitiba: Fundepar.

NISKIER, Arnaldo. LDB: a nova lei da educação: tudo sobre a lei de diretrizes e bases da educação nacional: uma visão crítica. Rio de Janeiro: 1996.

SCHWARTZMAN, Simon. Pela eliminação da estrutura corporativa da educação superior brasileira. Boletim Informativo Bibliográfico das Ciências Sociais. Rio de Janeiro: 1985.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

A questão da CPMF e dos tributos

O caso da CPMF, neste momento, é crítico e sensível. Logo, precisamos usar o bom senso, a coerência e a inteligência para resolvê-lo. A carga tributária do país é alta e corrosiva, contudo a estrutura atual do Estado está atrelada a ela. Mas o que é pior, neste momento é fundamental a existência e o aporte de recursos, principalmente, na defesa do país, assim como para assegurar a estabilidade econômica e o avanço social do Brasil.

Promover a eliminação da CPMF pode comprometer tudo isto: defesa, estabilidade econômica, projetos sociais, etc. Não só pode comprometer, como pode trazer o caos inflacionário de volta.

Se isso ocorrer, não será o Presidente Lula que irá sofrer as conseqüências. Será o próximo Presidente que pode ser, inclusive, um tucano.

Portanto, é preciso ter cautela e agir com entendimento e sabedoria, principalmente para não ser denominado e apontado mais tarde como indivíduos que, por um desejo atroz de oposição, trouxeram de volta o caos inflacionário e desgraçaram, mais uma vez, o Brasil e o Povo Brasileiro.

Se a manutenção dos avanços e das conquistas obtidas exigem sacrifício, a CPMF é um sacrifício aceitável. Contudo, negociem o que é possível negociar, mas sem querer sabotar e desestabilizar o Brasil e o Povo Brasileiro.

Estamos no caminho certo e não podemos nos perder por causa de ninharias...

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Ampliar as leis de incentivo

Ampliação das leis de incentivo para a educação, saúde, meio ambiente, pesquisa científica (principalmente pesquisa básica), etc. As leis de incentivo permitem a aplicação direta de recurso privados, que seriam dados ao Estado na forma de impostos, em projetos de relevante interesse público.

Se tem uma escola precisando de computadores, penso que um empresário poderia dar os computadores para a Escola e abater isso no imposto devido. Se tem um hospital necessitando de equipamentos, penso que uma empresa poderia equipar o hospital e abater isso dos impostos devidos.

Isso fará com que muitos problemas sociais sejam resolvidos rapidamente, evitando desperdício e a unha dos corruptos. Certamente, essa lei deverá estabelecer formas de controle para que os empresários picaretas não usem isso como uma forma de enriquecimento ilícito ou lavagem de dinheiro. Penso que as empresas e pessoas física poderiam ter o Direito de usar até 40% dos impostos devidos em projetos aprovados pela lei de incentivo.

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O Estado confisca dinheiro dos cidadãos para dar aos corruptos

Enquanto as instituições estiverem nas mãos da corrupção e corruptos construindo fortunas com recursos públicos, os cidadãos não devem pagar mais impostos. Dizer que os recursos públicos são para programas sociais é uma mentira cabeluda. Basta olhar o valor dos programas sociais para ver que não necessitam de tanto dinheiro assim. Confiscar recursos dos cidadãos para guardar embaixo do colchão também é outra estupidez.

Eu pergunto para os movimentos de esquerda que querem re-estatizar a Vale do Rio Doce: Quantas Vale do Rio Doce a corrupção está roubando do Brasil ? Não seria melhor fazer um movimento para exterminar os corruptos do que ficar querendo re-estatizar empresas que estão gerando empregos e pagando impostos ?

O Renan é o símbolo máximo de que a corrupção tomou conta do Brasil. E decisões das instituições somente podem ser acatadas quando tomada de acordo com a lei e com os interesses da sociedade. Se é para aceitar a decisão do PCS (Primeiro Comando do Senado), então porque não aceitam a decisão do juiz que vendia sentença.

O truque da criminalidade organizada que domina as instituições públicas é justamente dar aparência de legalidade e legitimidade a decisões tomadas secretamente e oriundas de chantagem, dossiês, etc.

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O Estado é pródigo. E entregar fortuna para um pródigo é jogar dinheiro fora. Não só isso, o Estado é um pródigo voraz e guloso que não se contenta com aquilo que arrecada. Quanto mais arrecadar, mais vai gastar. Não só gasta, como esbanja por ter muito. Se tivesse pouco somente gastaria naquilo que é importante, mas como tem muito, joga dinheiro fora. Por isso, a voracidade tributária do Estado tem que ser contida.

Além disso, a dívida pública cresce porque o Estado sabe que vai arrecadar. É apenas uma questão de tempo até obter o dinheiro. Logo, se arrecada 100, gasta 1000. Se arrecada 1000, gasta 1.000.000. E se arrecada 1 trilhão, certamente, vai gastar um quatrilhão. Portanto, o único jeito de se controlar a voracidade tributário do Estado é reconhecendo a sua prodigalidade e se recusando a dar mais dinheiro para ele.

É preciso criar um tipo de mecanismo que aumente o resultado do dinheiro que é pago na forma de tributo, assim como mecanismos que evitem dar dinheiro vivo nas mãos pródigas do Estado, ou seja, mecanismo que inibam, o máximo possível, o desperdício de dinheiro público e maximizem os resultados do dinheiro arrecadado.

Hoje vivemos uma lambança tributária. Bilhões e mais bilhões são arrecadados e não saímos da miséria. Pior do que isso, vemos todos os dias escândalos e mais escândalos envolvendo o furto e o desvio dos recursos públicos. Não vemos resultados, mas vemos muitos funcionários públicos, legisladores e governantes se enriquecendo às custas do erário. As roubalheiras, a corrupção e as picaretagens não tem limites.

Você já bebeu soda cáustica e água oxigenada ?

Este é um dos mais recentes truques das empresas para aumentar seus lucros e vender produtos deteriorados. Adicionavam soda cáustica e água oxigenada no leite. Nós estávamos bebendo estes produtos químicos. As crianças estavam sendo alimentadas com estes produtos químicos. E tudo em nome do lucro e da riqueza dos donos da empresas.

Mas o que mais me estarreceu nesta história foram as consequencias dos fatos. Nada de relevante aconteceu com as empresas e com os culpados. No máximo tiraram os produtos das prateleiras. E os responsáveis pelas adulterações ? Isso não é crime hediondo ? Não estavam envenenando a população a fim de obter lucros e riquezas ? Eu não conheço ninguém que tem a soda cáustica e água oxiganada no menu. Cadê as autoridades públicas responsáveis pela saúde pública ? Cadê os promotores públicos ? Cadê as ONGs que monitoram as corporações e seus produtos no Brasil ? Tem ONG que faz isso no Brasil ? Cadê os órgãos de defesa do consumidor ? Estão dormindo ou estão nos bolsos das empresas envolvidas ?

As empresas que fizeram tais adulterações devem ser fechadas e seus produtos banidos do mercado. Além disso, os responsáveis pelas adulterações e demais envolvidos neste crime sórdido devem ser presos, julgados e condenados pela prática de crime hediondo. Tudo isso tem que ser feito exemplarmente.

O que me surpreendeu foi a reação fraca dos consumidores... Este caso deveria ter ocasionado um escândalo nacional, mas as pessoas deram pouca atenção. Estavam bebendo leite com soda cáustica e água oxigenada e não se importaram. Estavam alimentando seus filhos com soda cáustica e água oxigenada e não fizeram nada. Talvez o susto tenha sido tão grande que ainda estão anestesiados... Talvez a mídia tenha amenizado e jogado uma penumbra de fumaça sobre tudo... Contudo, não podemos deixar este caso passar em branco... Vamos remexê-lo e procurar mais casos parecidos...

A partir desse caso e com base em ações internacionais precisamos levantar a bandeira do controle social e ambiental das empresas e corporações... No documentário "The Corporation" vocês viram o estrago que essas organizações estão ocasionando ao meio-ambiente, às sociedades e às pessoas. Nos EUA são os hormônios e antibióticos aplicados no gado que estão indo parar na
carne e no leite... Será que isto também está acontecendo no Brasil ? Cadê a fiscalização ? Cadê as ONGs de defesa do consumidor ?

Documentário The Corporation

Primeira parte: http://www.guba.com/watch/3000084218

Segunda parte: http://www.guba.com/watch/3000084247

Outros documentários: http://www.guba.com/user/pfilosofia

Meu site: http://www.direitousp.freevar.com

Enfim, o meu recado foi dado. É hora de agir para que coisas como estas não voltem a acontecer...

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Dr Bactéria explica por que soda cáustica e água oxigenada não deveriam estar no leite
Notícias do G1 -- http://www.drbacteria.globolog.com.br/index.html?postId=437380

Na coluna de hoje, vamos entender o que acontece com o leite e por que algumas marcas foram fraudadas com adição de soda cáustica e peróxido de hidrogênio (água oxigenada).

Antes de tudo, vamos falar sobre a composição do leite.

O leite é uma combinação de diversos elementos sólidos em água. Esses elementos são, principalmente, lipídios (gordura), carboidratos (lactose), proteínas, sais minerais e vitaminas, e representam algo em torno de 12% a 13% do leite.

Como podemos ver, soda cáustica e água oxigenada não fazem parte da constituição normal do leite. Seu aparecimento implica em uma adição fraudulenta e inescrupulosa.

Ordenhado em condições precárias de higiene ou mantido em temperaturas inadequadas de conservação, o leite pode sofrer a ação de microorganismos, principalmente sobre a lactose, o açúcar do leite. Os micróbios quebram cada molécula de açúcar em quatro de ácido lático. Com isso, obviamente, a acidez do leite aumenta e ele pode coagular. Visualmente, seria como se você adicionasse ao leite algumas gotas de limão -- ele, popularmente, azedaria.

É esse o principal fator de degradação do leite. Podem haver outros sinais ocasionados também por microorganismos, como proteólise (putrefação) e lipólise (rancificação), com conseqüente sabor e odor desagradáveis.

A adição de conservantes químicos é prática proibida, pois mascara esses efeitos dos microrganismos, dificultando a sua detecção pelo consumidor.

As fraudes observadas foram as seguintes:

Soda cáustica = para neutralizar o ácido lático
Água oxigenada (peróxido de hidrogênio) = detém a proliferação microbiana

A soda cáustica tem a finalidade de esconder um leite que permaneceu em temperaturas inadequadas de conservação, que propiciaram um aumento significativo de microorganismos, com a conseqüente acidificação do produto.

Como a soda é alcalina, o objetivo é neutralizar o ácido lático. O azedamento é escondido e o consumidor, enganado.

Soda cáustica com água oxigenada vira um produto desinfetante muito bom contra microorganismos. Com ele, mesmo um leite ordenhado em condições precárias de higiene e deixado em condições inadequadas de temperatura, pareceria normal. O desinfetante impede a multiplicação dos microorganismos, diminuindo sua ação sobre as substâncias constituintes do leite e conseqüentemente, inibindo a coagulação, a putrefação e a rancificação.

A qualidade do leite seria mascarada e o consumidor seria, novamente, enganado.

É importante lembrar que estes problemas se referem ao leite e não a sua embalagem. A crucificação de leite de caixinha seria, no mínimo, injusta, pois estes problemas podem aparecer em quaisquer das embalagens, não sendo esta, neste caso, determinante da verdadeira qualidade do leite.

Mesmo sendo difícil diagnosticar, a população tem que ficar alerta, não consumindo leites:

- com sinais de alteração (mesmo leves)
- sem o carimbo do SIF
- em temperatura ambiente, quando sua embalagem mandar mantê-lo refrigerado
- com caixinhas estufadas ou alteradas
- fora do período de validade

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segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Para quem o Presidente Lula está governando e para onde ele está olhando

Ao ler as últimas palavras do Presidente Lula sobre a Bolívia e sobre o Hugo Chavez, eu fico me perguntando: para quem o Presidente Lula governa ? Ao governar o Brasil, para onde o Presidente Lula olha ? Eu não consigo captar o foco do olhar do Presidente. Parece-me que ele olha para todos os lugares e esquece de olhar para o principal: o futuro, para as próximas gerações.

Os elogios do Presidente Lula para o Hugo Chavez não lhe trará maiores problemas. O mandato do Presidente Lula termina em 2010, daqui a 3 anos. Porém, os próximos presidentes é que enfrentarão o Chavez ditador, tirano, sanguinário, expansionista e imperialista. Somos nós, Presidente, somos nós que sonhamos governar o Brasil um dia que teremos que enfrentar e conter a ditadura do Chavez. Ditadura que hoje é apenas um bebê.

O Presidente Lula sai daqui a 3 anos e o Chavez continuará indefinidamente, causando um grande mal para todos. Até chegar o dia que não teremos mais saída: invadiremos a Venezuela e derrubaremos o Chavez...

O mesmo ocorre com a Bolívia. Precisamos do gás, mas sabemos que a Bolívia nós vê como imperialista, etc... Mais cedo ou mais tarde irão expulsar a Petrobrás novamente, assim como surrupiar os recursos investidos. Hoje o Presidente Lula tem paciência e tolera o índio doido, mas e os futuros presidentes do Brasil ? Eles irão tolerar esse tipo de coisa ou irão invadir e anexar a Bolívia para resolver o problema do gás ? A Petrobrás tem que encontrar outras saídas que não gerem dependência. Saídas que nos permita escolher entre uma coisa ou outra, sem nos prejudicar.

Algumas características são essenciais para um governante. Dentre essas características, eu assinalo algumas: retidão, ética, cumprir o que diz, visão de futuro, compromisso com a coletividade, com a Democracia e com o Estado de Direito. Isso não se aplica só ao governante, mas a todos os administradores públicos. Quem não tem essas características não deve assumir cargos decisórios ou lideranças....

O foco, Presidente, é o futuro e as próximas gerações. O futuro está sendo determinado pelas ações de hoje.

O Professor Milton Santos ...
(...)
Milton Santos não era filiado a partido político, religião, grupos internos da universidade.

Mas foi um militante, no sentido de dedicar toda a sua energia, até poucas semanas antes de morrer de câncer, em junho de 2001, à causa “dos de baixo” – como se referia às classes espoliadas. Tinha ojeriza à bajulação e nunca seria pego bajulando alguém.

Chegava a ser ríspido, quando tinha de ser. Conta-se que, numa palestra, um contendor, arrotando deleuzes, tentou desacreditá-lo perante platéia atenta de uma universidade do sudeste, com citações difusas e pouco acessíveis.

Pacientemente, Milton Santos esperou que o doutor concluísse. Retomando a palavra, objetou com trechos daqueles mesmos autores, mas contextualizando as citações.

Depois, virou-se para o sujeito e concluiu: “O senhor, para debater comigo, deve, antes, treinar dois dos seus músculos – o cérebro e a bunda”. Isto é: vá ler mais e com mais atenção! Generoso ele era. Testemunhei algumas de suas generosidades porque vieram em socorro deste que escreve. Convidado para ser membro da banca para meu título de mestrado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, ao tentar ingressar no prédio da escola, foi barrado pelo porteiro na catraca de entrada.

O servidor terceirizado de uma dessas empresas prestadoras de serviço interceptou o seu caminho, exigindo-lhe identificação.

Discreto, ele, que já havia sido laureado internacionalmente com uma espécie de Prêmio Nobel da Geografia, mostrou a identidade. O incidente logo chegou aos ouvidos dos dirigentes da escola, que, constrangidos, foram em fila lhe pedir desculpas. Ele humildemente as aceitou.

Outra vez, ajudou a organizar e compareceu a almoço no Clube dos Professores da USP, em uma espécie de “ato de desagravo” a este escrevinhador, ameaçado pelo então reitor, em 1997, de expulsão dos quadros do doutorado da ECA. A reitoria movera “processo disciplinar” depois de uma série de manifestações políticas a favor de cotas para negros naquela universidade, culminando em nossa prisão em flagrante pela guarda universitária durante pichação no campus.

Milton Santos levantou a voz e defendeu, durante o almoço, que não aceitássemos a proposta do reitor, que exigia o reconhecimento de um suposto “crime” (o de pichar muros, degradando o “patrimônio público”) para que a ameaça de expulsão cessasse. “Não ceda, mantenha sua opinião!”, orientou.

Professor da USP desde o final dos anos 1970, quando regressou do exílio, foi graças a pessoas como Maria Adélia de Souza, então professora na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas daquela universidade, que ali foi aceito. Os defensores do seu contrato enfrentaram resistências departamentais internas, posto que os conservadores permaneciam fortes no âmbito acadêmico uspiano, como até hoje – e não apenas ali.

Agora mesmo, no âmbito da Universidade Federal da Bahia – onde Milton Santos lecionou, foi cassado e depois, em meados dos anos 90, reintegrado –, enfrenta-se o debate entre os que querem democratizar o acesso e permanência de alunos provenientes “de baixo” e os que se agarram ao discurso da meritocracia.

Aqui, fala-se em mérito para se manter privilégios de “raça” e classe, que fazem da universidade brasileira um antro de branquitude submisso a uma epistemologia do conhecimento que nega a diversidade dos baianos e se dobra a interesses e temas alienígenas. Milton Santos faz falta a esse debate.
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Os dois últimos parágrafos também se aplicam à USP.
Clique aqui para ler sobre

Perguntas para a COSEAS-USP responder:

COSEAS: Coordenadoria de Assistência Social da USP.

1 -- Se o CRUSP é para alunos pobres, por que eu divido o apto com um indivíduo que ganha R$ 4.000,00 por mês ?

2 -- Se o CRUSP é para alunos da USP, por que o outro indivíduo que mora no meu apto já se formou a um ano, inclusive colou grau, e continua como morador oficial regular do CRUSP ?

3 -- Por que a COSEAS manda os calouros ocuparem primeiro as vagas pagas no CEPEUSP (R$ 15,00 a diária) antes de ocuparem as vagas gratuitas existentes nos alojamentos do CRUSP ?

4 -- Por que a COSEAS tem que pagar pelas vagas do CEPEUSP se ele também é um órgão da USP e a ocupação dessas vagas não ocasionam nenhuma despesa extra para a Universidade ?

5 -- A Reitora sabe dessas questões ou vocês não contam nada para ela ?

6 -- Por que em 2005 eu fui impedido de entrar no alojamento do CRUSP quando fiz o pedido (no mês de junho - antes do início do segundo semestre), porém, depois que denunciei os fatos, liberaram o alojamento (em novembro) ? Quem impediu a minha entrada e por que ? Não adianta citar o Regimento, pois o mesmo diz que os alojamentos são para casos excepcionais como este ?

7 -- Por que impediram a minha entrada se a maioria dos alojamentos estavam vagos ?

Além dessas questões, eu tenho outras sobre compras e sobre os acordos que dão salas da COSEAS para o Banco Santander captar clientes ao lado das assistentes... Por que o Banco Santander usa salas da COSEAS se tem duas grandes agências desse banco dentro da USP ?

Enfim, eu tenho tantas perguntas sem respostas...

Conspirações, perseguições e humilhações que enfrento na USP

Desde que entrei na USP enfrento uma série de conspirações, perseguições e humilhações por parte de alguns funcionários e professores desta Universidade. Eles não aceitam a minha inteligência, o meu sucesso acadêmico e a minha presença na USP. Por isso, lutam de todas as formas e usam todos os meios para tentar me afastar desta Universidade, pois eu sou risco à estrutura de dominação e controle que instalaram aqui.

Inegavelmente, a minha história é uma história de sucesso, pois saí do zero e cheguei ao grande centro de formação dos herdeiros da classe dominante sozinho. Cheguei e entrei no centro sem ser herdeiro e sem ser da classe dominante.

Minha família pouco me ajudou, pois não tinham condições de me ajudar, inclusive acho que eles nem compreendiam o propósito de vida que eu tinha escolhido. Sem contar aquele ramo da família que podia ajudar, mas que preferiu puxar o tapete. Além de minha família, poucos me impulsionaram a continuar e muitos se levantaram e se levantam para me atacar, ameaçar, humilhar e derrubar. O mal está em toda a parte e eu me vejo cercado por conspiradores, traidores, opressores, espiões, exploradores, etc...

Certamente, eu devo possuir algo especial, pois a grande quantidade de pessoas que me atacam é surpreendente. Não só isso, meus projetos, minhas idéias e meus planos são sabotados, copiados e deturpados. As coisas que digo são desvirtuadas e denegridas na cara dura. Fazem tudo isso com um só intuito: tirar-me de cena e encobrir-me com o véu do esquecimento. Não vão conseguir, pois a luz que eu acendi não pode ser apagada e a força das minhas idéias suplantam quaisquer conspirações...

Basta ver os processos adminsitrativos que estão correndo contra a minha pessoa dentro da USP. Um dos procuradores da USP (PASCHOAL JOSE DORSA) teve a cara de pau de pegar os meus textos, inclusive as petições que encaminhei para o MP denunciando os ilícitos praticados na USP, e ir grifando as palavras que ele entende que sejam ameaças, violência, etc... Juntou tudo e pediu abertura de processo administrativo...

Eu vou solicitar uma cópia integral desse processo, assim como dos demais, em seguida vou escaneá-los e publicá-los integralmente no meu site. Quero fazer isso para desmoralizar aqueles que me acusam. Quero mostra o mal uso e o desvirtuamento da lei e do Estado de Direito. Quero mostrar o tamanho do abuso do Direito. Para quem diz que eu só vejo conspiração, etc, vai se surpreender quando ver a conspiração e a perseguição, que tenho sofrido na USP, documentadas.

As petições nas quais eu denunciei crimes e ilegalidades não deram em nada. Não apuraram nada. Arquivaram tudo. Inclusive o MP, maioria de ex-alunos da USP ou então de Pós-graduandos da USP, não fez nada, ou seja, colocou uma pedra em cima e disse: "esquece". Mas o que eu denunciei e relatei eram crimes e ilegalidades que me atingiam e que atingiam a coletividade. Mesmo assim, o MP tinha/têm interesse em não apurar nada contra a USP, em deixar a máfia que age aqui dentro funcionando a todo o vapor.

Não, não sou eu que destruo a USP com as minhas denúncias. Quem destrói a USP é quem a rouba na surdina. Quem desvia recursos encoberto pela falsa legalidade. Quem fecha a USP para a coletividade e acha que a USP é para a classe dominante, não para o povo. Chegaram a dizer e ainda dizem por aqui: "A USP é pública, mas não é para todos". Inclusive publicaram isso em um jornal. Essa frase resume perfeitamente a visão que a máfia tem da USP: "A USP é pública, mas não é para todos. É para eles, os grupos dominantes, e para seus filhotes."

Possivelmente, os promotores não queriam sujar a imagem da USP ou a sua imagem pessoal diante da USP. E realmente não sujaram a imagem da USP, mas sujaram a do MP que demonstrou ser um órgão tendencioso e parcial que só acusa e condena pobre, moradores da periferia e favelas. Um MP que tira o chapéu e se ajoelha aos pés dos criminosos de colarinho branco, da máfia da USP.

O indivíduos que aparecem nessa história são só a ponta de um iceberg, uma máfia, que corrói a USP por dentro, age na surdina. Certamente, eu sou o inimigo número um dessa máfia, pois a meta deles é usar a USP como uma extensão de seus negócios particulares, é usar a USP para darem seus cursos particulares, é desviar recursos de pesquisas e demais verbas do orçamento da USP e da assistência estudantil. Eu não tolerei e não tolero esse monte de coisas ilícitas e de crimes. Denunciei, mas a máfia é grande e tem as suas ramificações no MP, no Judiciário, na Polícia, etc, e conseguiu abafar tudo.

Por isso, tudo o que eu denunciei foi arquivado e estão usando as petições nas quais eu denunciei para tentar me prejudicar. Vocês precisam ler os processos administrativos para verem o tamanho da conspiração... E não se enganem, tem gente graúda trabalhando por baixo dos panos. A maior parte do iceberg podre está submersa.

Este blog é o início das publicações que visam mostra o lado tenebroso da USP, assim como as conspirações, humilhações e exclusões que enfrentei/enfrento nesta Universidade. Eu pretendo revelar os atos, as caras e os nomes dos desgraçados que me atacam pelas costas e buscam prejudicar-me de todas as maneiras. Quero revelar as faces desse mal para que não façam com outros o que fizeram comigo.

A verdade tem que ser revelada, pois esses elementos usam o segredo, a ação escondida, camuflada e dissimulada, para atacarem suas vítimas. Não envenenam a sua comida, mas envenenam a sua mente. Ameaças dissimuladas e indiretas buscam desestabilizar a sua sanidade e desequilibrar a sua conduta. Montam ardis e planos para fazê-lo cair em erro ou contradição e assim poderem te atacar. Usam a legalidade, a lei e a justiça como arma, como forma de ameaça, como meio de dominação, opressão e controle.

Os moradores do CRUSP sabem bem disso, pois são ameaçados constantemente de reintegração de posse, etc... Inegavelmente, a COSEAS é um órgão de opressão e de exclusão. Um órgão que anda a margem da lei e usa mecanismos sórdidos para se manter.

Por exemplo, neste momento os restaurantes da COSEAS estão fechados devido a tal paralisação de funcionários. As Unidades continuam funcionando normalmente, as aulas continuam sendo ministradas, mas a parte assistencial da Universidade, que cuida da comida dos bolsistas, etc, está paralisada e fechada. Isso mostra o quê ? Mostra que a lei não e aplica aqui. Basta lembrar que o STF decidiu no mês passado que a lei de greve da iniciativa privada se aplica nas paralisações públicas. E, mesmo assim, a COSEAS fechou completamente, pois eles dizem que comida não é essencial... E este é o segundo dia que a COSEAS fecha e o resto da Universidade continua funcionando...

A verdade é um antídoto poderoso contra esses indivíduos que praticam o mal e que vivem do mal. Quando a verdade é mostrada, a face do mal, que eles possuem, é revelada e todos os cidadãos podem vê-los e apontá-los. Não só isso, podem se precaver e se proteger dos ataques. Com isso o poder baseado no segredo é eliminado e dissolvido. Por isso, a verdade liberta.

Eu planejo contar tudo nos mínimos detalhes. Cada ação, cada ataque, cada ato que praticaram para tentar derrubar-me e tirar-me do centro de formação dos herdeiros da classe dominante. Tentaram, mas não conseguiram. Isso fica bem claro quando, na Casa do Estudante da Faculdade de Direito da USP, roubaram todos os livros jurídicos que eu tinham comprado a duras penas. Quando a Biblioteca da Faculdade de Direito da USP estabelece uma pena de 7 anos por não devolução de livros que eles se recusaram a receber na data da devolução. Impediram-me não só de emprestar, mas também de retirar o livro para ir até a xerox da própria Faculdade.

Eu quero escrever um livro virtual gratuito sobre tudo isto. Quero contar todos os fatos e mostrar todas as faces e todos os nomes. Quero publicar todos os processos administrativos, todas as petições encaminhadas ao MP, assim como todas as decisões do MP e da USP arquivando os Processos para encobrir os crimes e as ilegalidades. A verdade será mostrada, a face do mal revelada e os exploradores criminosos destruídos.

O que será que eles esperam ganhar com essas ações ? Será que eles pensam que é a USP a minha fonte de poder e inspiração ? Será que eles pensam que quando eu sair da USP não conseguirei escrever mais nenhuma linha ? Se eles pensam isso, são uns idiotas, pois a minha inteligência é natural. A USP somente possibilitou a inserção de mais informações na minha cabeça, mas não criou nada em mim. Eu sou o que sou, simplesmente nasci assim.

Mas o que a máfia da USP mais teme é a minha capacidade de liderança, minha capacidade de ver e mostrar a realidade. Temem porque eu não sou um deles e nem estou com eles. Estou com os excluídos, com os explorados, com os oprimidos. Estou com o povo das periferias, das favelas e do campo. Estou com os mais fracos de corpo e alma. A máfia é composta pelos opressores, pelos exploradores, pelas pessoas que ganham com a desgraça do Brasil e do Povo Brasileiro, ganham com o mal que provocam e disseminam sem mostrar a cara.

O ano que vem é o meu último ano na graduação da USP. Talvez eu vá para a Pós. Talvez eu vá para o exterior. E neste ponto em que cheguei, olho para trás e pergunto-me: valeu a pena ? Valeu a pena ter estudado tanto, ter se dedicado tanto, para entrar na USP ? Hoje, a minha resposta é: não, não valeu a pena. Se eu soubesse que iria enfrentar tanta conspiração, tanta opressão, tanta humilhação dentro desta Universidade, eu teria ido estudar em um outro lugar qualquer. A minha inteligência teria se desenvolvido da mesma forma, pois eu sou autodidata, ou seja, aprendo as coisas sozinhos.

Contudo, entrei na USP por minha capacidade. Apesar de tudo e apesar de todos. Logo, tenho o direito de estar aqui e por isso vou enfrentar com todas as armas possíveis essas conspirações, vou defender com unhas e dentes o direito que conquistei. A USP é uma Universidade Pública, é alimentada com recursos públicos, portanto, ela pertence ao Povo, não a máfia e nem aos grupos dominantes.

Por isso, eu e outros amigos criamos um Projeto chamado OCW-USP. Criamos este projeto para abrir a USP para aqueles que pagam a manutenção desta Universidade e não podem estar aqui, pois foram excluídos pelas desigualdades, pelo ensino público precário e pelos vestibulares. Eles também tem o direito de acessar o conhecimento que pagam para a USP produzir e ministrar. Eles também tem o direito de se desenvolverem, como quaisquer alunos da USP, usando a mesma base de informação e conhecimento.

Entretanto, a classe dominante não gostou nenhum pouco desse projeto, pois ele atinge o centro de poder dominante. Ele dissemina o conhecimento e quebra a estrutura de dominação. Acho que é por isso que estão me atacando neste momento. Querem que eu saia da USP o mais rápido possível para que a máfia continue reinando absoluta, continuem expropriando os recursos públicos, oprimindo, explorando e excluindo os alunos que vêm das escolas públicas.

A máfia da USP não quer me ver continuar na USP. Eu sou uma ameaça ao poder que eles tem aqui. Eu denuncio as coisas. Eu conto os fatos e mostro a realidade. Por isso, eles querem me ver pelas costas, longe daqui. Eu vejo isso claramente. Vejo isso nos processos administrativos sem fundamento que abrem, vejo isso nos editais de bolsas que fazem para me excluir, vejo isso nos comentários indiretos, nas ameaças veladas... Inegavelmente, eu sou um risco para muita gente que usa a USP como extensão de seus negócios particulares e desviam recursos da Universidade.

Enfim, o mal que eles me causam é apenas 0,0001% do mal que eu posso causar a eles, retribuindo-lhes aquilo que me dão de graça...

Para ler mais sobre as conspirações, crimes e ilegalidades praticadas na USP clique no link abaixo:

1 -- Resposta da Coseas ao pedido de moradia

2 -- Ilegalidades e arbitrariedades na Coseas

3 -- Racismo, preconceito e discriminação na Coseas

4 -- Representação contra a USP protocolada no MP/SP

5 -- Por que se mata na USP ?

domingo, 4 de novembro de 2007

O Brasil deve ter medo de Chavez ?
Matéria da Revista Época -- 29/10/2007
Há mais de um século, o Brasil não se envolve em guerra com seus vizinhos. A última foi a Guerra do Paraguai, entre 1864 e 1870. Morreram 60 mil brasileiros. De lá para cá, o Brasil, maior país em extensão territorial e população da América Latina, tem mantido relações pacíficas no continente. O Brasil hoje também não tem disputas de fronteiras. Isso contribuiu para firmar a imagem do continente como uma das regiões mais estáveis e desmilitarizadas do mundo. Segundo o Stockholm International Peace Research Institute (Sipri), Instituto sueco dedicado ao monitoramento de gastos militares, a América Latina é a região do mundo que dedica proporcionalmente menos recursos aos orçamentos de suas Forças Armadas ? 1,4% do PIB regional.

Texto completo, incluindo os gráficos estão disponíveis no endereço:
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG79793-6009-493,00.html

Lula reaparelha Forças Armadas de olho na transferência de tecnologia
Por causa da Venezuela, Aeronáutica inicia o processo com a compra de 36 caças, no valor total de US$ 2,2 bi.

Estadão Online -- Tânia Monteiro -- 04/11/2007

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, foi autorizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a tirar da gaveta em janeiro, finalmente, o projeto FX-2 e comprar 36 caças para a Força Aérea Brasileira (FAB), ao custo de US$ 2,2 bilhões - o projeto original, o FX-1, planejado no governo Fernando Henrique Cardoso, previa uma compra mais modesta, de US$ 700 milhões. Dois fatores, conjugados, contribuíram para a decisão política do Planalto: a precariedade a que chegou a FAB, com 37% da frota de 719 aviões sem condições de voar, e o presidente da vizinha Venezuela, Hugo Chávez, que, nas palavras dos militares, está se "armando até os dentes".

Texto completo no site do Estadão:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20071104/not_imp75182,0.php